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Cabelos e referências

por O Arrumadinho, em 14.03.13

Ontem:

 

- Papá, tu usas gel?

- Não, porquê?

- Mas é para meninos, não é?

- Sim... as meninas também podem usar, mas é mais para meninos.

 

Silêncio.

 

- Amanhã vai estar frio?

- Sim, em princípio vai. É Inverno.

- E tenho de usar gorro?

- Depende do frio. Se não estiver assim muito frio não é preciso.

 

Silêncio.

 

Hoje de manhã:

 

- Papá, hoje está muito frio?

- Não. Quando fui com o Manolo à rua estava sol.

- Então não preciso de levar gorro.

- Não.

- Então podes pôr-me gel e espetares-me o cabelo?

- Hmmm... posso... mas porque é que queres fazer isso?

 

Silêncio.

Nesta fase temi que me viesse com a conversa dos Cristianos Ronaldos ou dos Justin Biebers.

 

- Porque é assim que usa o menino do "Paranorman".

 

Ufas.

É bom sentir que as referências dele ainda são infantis e não juvenis. Mas lá chegaremos.

 

É quando nos estamos a preparar para o nascimento de um filho que mais tempo temos para pensar nas referências que lhes queremos dar, no modelo que procuramos e que entendemos ser o mais adequado. Desenvolvemos teorias sobre uma série de coisas que gostaríamos que acontecessem, mas que, inevitavelmente, serão diferentes depois de eles nascerem. E acho muito bem que assim seja.

 

Eu acho que aprendi e eduquei-me a observar. Na fase crítica do meu crescimento, na construção dos valores e da personalidade, tive o azar de não ter a meu lado uma pessoa que cumprisse com esse papel e me mostrasse um caminho certo, válido. Tive de o descobrir sozinho, de olhar à minha volta e perceber o que estava certo e o que era errado. Uns anos mais tarde, tive uma ajuda fundamental dos meus avós maternos, que me ensinaram regras, que me ofereceram a estabilidade que nunca consegui ter até aos 13 anos. Fui integrado num núcleo familiar grande, onde pude absorver valores, referências e constuir de forma sólida a minha personalidade. 

Nada me foi imposto, nada foi feito com gritos ou palmadas, tudo aconteceu com naturalidade e liberdade. Acredito, também, que se isso aconteceu foi porque todos perceberam que eu estava a ir no caminho certo, que não era um miúdo problemático, que cumpria e aceitava regras, que tinha boas notas, que era aplicado e honesto.

 

Sobretudo agora, falamos lá em casa muitas vezes sobre o que gostávamos de ensinar ao nosso filho, das regras que achamos importantes impor-lhe, do tipo de educação que lhe queremos dar.

Por experiência de vida, e enquanto pai, defendo que o mais importante que tudo é impor uma disciplina, estabelecer limites, e, depois, dar-lhe liberdade para irem construindo a sua personalidade, empurrados pelos nossos exemplos, as nossas sugestões e o nosso próprio carácter. 

Muito mais do que um polícia dos filhos, um pai (no sentido amplo) deve ser um exemplo, alguém com uma infinita capacidade de amar um filho. Se ele sentir isso, se lhe forem dadas a ler, a ver, a ouvir, o que os pais entendem ser as melhor coisas para a construção de um gosto pela cultura, então, acredito que a probabilidade de se gerar um filho feliz é muito maior.

A cultura ajuda-nos a pensar, dá-nos referências, abre-nos mundo, e, hoje, um miúdo que saiba pensar tem meio caminho feito para ter sucesso.

 

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publicado às 12:43

Vocês estragam-no com mimos #1

por A Pipoca Mais Doce, em 14.03.13

Entre família, amigos e ilustres desconhecidos, o pequeno Pipoca-baby tem vindo a ser brindado com mimos para cima de espectaculares. E como é sempre giro ir espreitando o enxoval da criança (para tirar ideias e tal e coiso), vou mostrando aqui as coisinhas.

 

O primeiro agradecimento vai para a Papelaria Inédita, uma marca que eu já conhecia de outros carnavais, por fazer umas cestas fofinhas que só elas. Agora, e entre muitas outras coisas, a Papelaria dedica-se também a fazer quadros de madeira, com vários motivos. E são enormes, lindos, irresistíveis e nada caros. A Papelaria ofereceu-me um e eu não resisti a comprar outro para o quarto do baby. Vai ficar lindão.

 

 

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publicado às 12:07

Foi assim que aconteceu (calma, não vou contar tuuuudo)

por A Pipoca Mais Doce, em 13.03.13

Naqueles três primeiros meses em que não convém contar ao mundo que se está grávida, fui escrevendo uns textos sobre o tema, à espera do dia em que os poderia partilhar. Ora como esse dia chegou, aqui vai o primeiro deles, escrito a 16 de Janeiro:

 

Nunca fui uma pessoa de grande confiança no que toca a tomar a pílula. Em cada caixa de 21 comprimidinhos era perfeitamente normal que chegasse ao fim e me sobrassem três ou quatro . Ah, e tal, uma a mais, uma a menos, também não há-de ser nada. E também era muito normal ter várias caixas abertas e ir tomando de onde calhava. Tenho algumas amigas paranóicas que tomam a pílula SEMPRE à mesma hora, até põem alarme no telemóvel e tudo, não vá o diabo tecê-las. A minha regra sempre foi muito mais prática: tomo à hora que me deitar. Seja às oito da noite ou às seis da manhã, quercásaber. E, sinceramente, nunca me dei muito mal com esta regra. Até ao dia, claro. Em Agosto não tomei para aí umas sete pílulas, coisa pouca. O suficiente para o período se eclipsar. Ora ele, que sempre foi um bom rapaz, que sempre apareceu a horas, que nunca me pregou nenhum susto, um período que uma pessoa podia dizer "olha, sim senhor, é de confiança"... de repente, desapareceu. Foi-se. Sumiu-se. Passou uma semana, e depois duas, e depois três, e nada. Dois ou três testes de gravidez negativos, exames no hospital (tudo normal) e a conclusão que tinha sido um qualquer descontrolo hormonal. Brincar com a pílula dá nisto.

 

Vai daí fui à minha médica e disse-lhe que, já que tinha interrompido a pílula até se resolver o mistério do período desaparecido, se calhar não voltava mesmo a tomar. Não que estivesse a pensar engravidar nos tempos mais próximos, mas também já estava a caminhar para os 32 e se calhar era altura de me ir começando a preparar para a coisa. Mais não fosse mentalmente. Tudo muito certinho. Assim foi. Pílula arrumada a um canto e nem nunca mais pensei no assunto. Não andei a controlar dias, nem horas, nem períodos férteis, nem nada dessas coisas. Achava, mesmo, que ia demorar para aí dez anos a engravidar, por isso estava na paz do Senhor.

 

No primeiro mês tudo bem, o período apareceu certinho e direitinho, mas no segundo voltou a desaparecer. Não estranhei. Antes de começar a tomar a pílula, para aí há 50 anos, o meu período sempre teve vida própria. Aparecia quando queria, à hora que queria, era uma loucura. Por isso, tendo deixado a pílula, achei que estava a voltar às origens. Mas depois começaram os sintomas. Primeiro era o sono. Um sono do tamanho do mundo. Desvalorizei. Achei que depois de três semanas em Nova Iorque ia levar algum tempo a coordenar os sonos novamente, por isso não liguei muito. Depois foram as dores no peito e a sensação de estar sempre apertada e prestes a explodir. Hipocondríaca como sou, comecei logo a imaginar todo um conjunto de patologias que, seguramente, me tinham atacado.

 

Até que, na véspera de Natal, decidi comprar um teste de gravidez. Só assim naquela. Não achava nada que estivesse grávida, mas convinha começar a despistar hipóteses. Fiz o teste e... nada. Não apareceu nada. Nenhum sinal. Pensei que devia ter feito alguma coisa errada, ou que o teste não estava em condições, por isso deitei-o fora e não pensei mais no caso. Mas para aí duas horas depois decidi ir repescá-lo. Nem sempre o resultado aparece logo, por isso lá fui eu em busca do teste perdido. E lá estavam eles, dois tracinhos vermelhos. Não havia margem para dúvidas, eles estavam lá. Mas nem assim fiquei convencida. Como o teste andou duas horas às voltas no caixote do lixo, achei que era provável que se tivesse avariado lá pelo meio e que aquele resultado não fosse muito fidedigno. Por isso fui comprar outro. Um Clearblue, um daqueles testes mais moderninhos, que dão logo o tempo estimado de gravidez. Fiz o teste e passados uns três minutos lá apareceu o resultado no visor: "grávida 3+". Ou seja, grávida de mais de três semanas. Upssssssss!

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publicado às 22:34

O dia 1

por O Arrumadinho, em 13.03.13

O momento em que sabemos que vamos ser pais é sempre de uma emoção tal que as reacções se tornam imprevisíveis. Tenho amigos que quase desmaiaram com o pânico, outros que se enfrascaram em álcool de alegria e um dos que me são mais próximos chorou durante horas (de felicidade, diz ele). É impossível prever-se o que se vai sentir. Não sei se com as mulheres é igual, mas penso que sim. Só passando por isso se pode ter a certeza. E essa reacção nunca é igual, de filho para filho.

 

Das duas vezes que recebi essa notícia fiquei dominado por uma tensão inexplicável. Correram-me tantas coisas pela cabeça naqueles minutos que não tive tempo nem oportunidade de mostrar felicidade. Agora, um pouco à distância, acho mesmo que entrei em pânico.


Um filho é uma responsabilidade (no sentido amplo e bonito da palavra) demasiado grande para encarar o assunto com leviandade. Estamos a gerar uma vida de alguém que iremos amar para sempre, que nos acompanhará para sempre, que nos transformará por completo a vida e que dependerá de nós pelo menos durante 18 anos (ou 35, da forma como as coisas estão hoje).


É quase sempre socialmente mal aceite dizer-se que estes dias não são os melhores da nossa vida. Mas, para mim, não são. O dia em que soube que ia ser pai pela primeira vez não foi o melhor da minha vida. O dia em que o meu filho nasceu não foi o melhor da minha vida. O dia em que soube que ia ser pai pela segunda vez não foi o melhor da minha vida. O dia em que ele nascer não será o melhor da minha vida. E digo isto porque esses dias são marcados por emoções tão fortes que não nos dão espaço para nos sentirmos totalmente felizes, porque eu só entendo a felicidade espontânea, livre, sem tensões ou preocupações. E não consegui isto nesses tais dias. Estava demasiado tenso e preocupado para conseguir estar bem.

 

Senti-me muito mais feliz, dias depois de o meu filho nascer, quando o vi a dormir no berço, tranquilo, saudável, em casa, quando lhe peguei, o alimentei as primeiras vezes, quando lhe dei banho, quando me deitei na cama e o deixei adormecer no meu peito. Aí, nesses momentos, não houve pressões, tensões, preocupações, e sobrou-me o tal espaço para me sentir o homem mais feliz do mundo.

 

É isso que sinto, hoje, quando o vejo a ler uma página de um livro sozinho, a oferecer um brinquedo que já não usa a uma criança que nunca viu, a correr para mim quando o vou buscar à escola. O amor que sentimos, a inocência deles, a capacidade de apreensão das coisas, a formação do carácter, tudo isso realiza e preenche um pai.

 

A minha mulher costuma dizer que os pais se tornam piegas, que queimam um fusível, que perdem a racionalidade, o discernimento. Eu acho que não. Acho que os pais sabem, apenas, o que é ser pai.

 

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publicado às 16:24

Ora então vamos a isto!

por A Pipoca Mais Doce, em 12.03.13

Eu não sabia, claro, não podia saber, mas a partir do momento em que uma pessoa descobre que está grávida a cabeça enche-se de perguntas e mais perguntas que gravitam em torno da nova temática. Umas feitas por nós, outras, a grande maioria, feita pelos outros. Então e já tem nome? E já sabes se vai ser parto natural ou cesariana? E mamar? Vais dar de mamar, certo? Já pensaram na preservação das células estaminais? Imagino que já estejas a besuntar-te em creme gordo para evitar as estrias, estás, não estás? Já te deste conta de como a tua vida vai mudar? E a escola???? A escola é MUITO importante! E o carrinho de bebé? Vai ser da Chicco ou da Bugaboo? Já te inscreveste para um curso de preparação para o parto? Estás mais gordinha, não estás?

 

Eeeeeehhhh! Vamos lá a ter calma com isso! Ainda uma pessoa está a tentar habituar-se ao facto de ter um puto na barriga e começa logo a ser bombardeada com 362 mil perguntas para as quais, basicamente, não tem resposta. A verdade é que só sei que nada sei. É normal. Nunca fui mãe nem sequer sou particularmente children friendly. Mas estou a aprender. E estou a ler. E tenho ouvido. E já percebi que este é um assunto que mexe com as pessoas. A malta fica louca com gravidezes. Eu acho que ainda não estou louca e também ainda não embarquei na histeria colectiva (preparem-se, a partir do momento em que anunciam que estão grávidas é obrigatório que se mostrem sempre super felizes e radiantes. Ai de vocês que sejam apanhadas com má cara!). Mas estou a gostar desta nova etapa. E a vivê-la com tranquilidade, como diria o Paulo Bento. Acho giro ir descobrindo o que se está a passar a cada dia dentro da barriga (hoje, por exemplo, é provável que a criança comece a chuchar no dedo, e daqui a uns dias começará a engolir pirulitos de líquido amniótico, não é espectacular?), gosto de ir comprando umas roupitas, gosto de pensar em como ele será e no que será. E, claro, é inevitável não pensar em coisas mais densas e mais chatas e mais negativas (afastem de mim o Google, essa enciclopédia de doenças). 

 

Foi por tudo isto, por ter milhentas dúvidas, anseios e teorias para partilhar, que achei que fazia todo o sentido criar um baby blog. Sim, é somente deste assunto que se tratará por aqui, não se iludam. E no meu registo que, já se sabe, não é o mais fofinho nem cutxi-cutxi. Nem será por tratar temas como os bebés e a maternidade que isto se tornará um antro de "ooooohhhh-é-tudo-lindo-e-maravilhoso-na-gravidez". Não é, meus amigos, não é, mas sobre isso falaremos noutra altura. Este é um blog real de uma mãe de primeira viagem e é isso mesmo que vos prometo: um relato real e divertido (assim espero) desta grande aventura que é a gravidez. Para o bem e para o mal, prometo tratar os bois pelos nomes e contar-vos as coisas como elas são.

 

Porquê "A Pipoca Mais Dois"? Não, quem veio ao engano a achar que poderia tratar-se do título de um filme porno, pode ir já andando que não é disso que se trata. O nome explica-se pelo simples facto de ser eu e mais dois: o puto (a verdadeira estrela da companhia) e o meu homem, que também dará aqui a sua visão dos factos. Os pais tendem a não ter grande opinião neste assunto (e é verdade, não têm), por isso é preciso fingir  e deixá-los acreditar que sim, que a sua opinião é de extrema relevância para o mundo.

 

Vai ser uma bonita viagem e conto com vocês e com as vossas teorias. Excepto, claro, se for para me dizerem que conhecem um bebé que nasceu com onze dedos, ou com um rabinho de porco, ou ainda a história daquela vossa prima em terceiro grau que achava que ia ter só um filho e depois saíram oito. A sério, deixem lá isso.

 

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publicado às 19:23

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