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AVENTuras da Mamã #24

por A Pipoca Mais Doce, em 02.12.13



Um mundo almofadado

 

Uma amiga minha costuma dizer, com alguma graça, que depois de termos filhos temos vontade de almofadar o mundo, para evitar que eles se magoem. Percebo a teoria, mas estou só parcialmente de acordo. Por um lado, queremos protegê-los de TODOS os males do mundo. Não queremos que batam com a cabeça, que arranhem os joelhos, que façam uma nódoa negra, que caiam, que chorem todas as lágrimas que há para chorar. Sobretudo quando estão naquela fase em que são completamente inconsequentes e que não fazem ideia que o perigo espreita a cada canto. Mas depois, e por outro lado, também não queremos crianças mariquinhas, medrosas, incapazes de superar um desafio.  Afinal, queremos que eles sejam capazes de se desenrascar, que aprendam com os erros, que aprendam com as cabeçadas e com os joelhos esfolados, porque a infância também é isso, e andar sempre em cima deles, numa super protecção quase obsessiva, também não pode ser bom. Não é fácil chegar a um meio termo. Nisso eu acho que sou um bocadinho mais stressada do que o meu homem. Não sou stressada, sou previdente, perante alguns cenários começo logo a antever desgraças e coisas que podem dar para o torto. Ele é mais descontraído, é um facto, mas às vezes acho que também relaxa demais, muito com base naquela teoria do “se nunca aconteceu nada até hoje, também não vai acontecer”. Para já, a vida do Mateus ainda é bastante (para não dizer completamente) controlada, mas quando começar a andar e a gatinhar a conversa já é outra. E eu não quero, juro que não quero, ser uma daquelas mães que não dão espaço, sempre em cima, “olha que te entalas”, “olha que te queimas”, “olha que cais”, “olha que bates com a cabeça”. Há dias lia uma entrevista muito engraçada da Inês Castel-Branco em que, questionada precisamente sobre este assunto, dizia que deixa o filho à vontade, que se ele bater com a cabeça numa mesa uma vez já não bate a segunda, porque já aprendeu. Gostava de ver as coisas com esta despreocupação. Gostava de estar lá para o Mateus, para o proteger, mas também para lhe dar espaço para aprender sozinho. A verdade é que o perigo está mesmo onde menos se espera. É um chavão, eu sei, mas é verdade. Quando se tem um bebé em casa, até as coisas mais simples se transformam em perigos potenciais. E eu acho que devemos ter cuidados básicos (protecções nas janelas e varandas, medicamentos e detergentes fora do alcance deles, protecções nas tomadas), mas é impossível estar em cima de tudo sem nos tornarmos completamente obcecados. Teríamos, como diz a minha amiga, de almofadar o mundo (e, mesmo assim, as crianças haviam de arranjar maneira de destruir as almofadas à dentada ou coisa que o valha). Não quero estar a sofrer por antecipação, por isso acho que vou pensando neste assunto à medida que o Mateus for crescendo e tendo necessidades diferentes. O que eu queria mesmo, mesmo, mesmo, mesmo era poder tê-lo sempre ao colo, enchê-lo de beijos e não deixar que nada de mal, nunca, lhe acontecesse. Como não dá, sou obrigada a ter as preocupações dos comuns mortais. Para já, para já, as questões de segurança passam por  coisas como garantir que não passa frio (com este frio polar tenho medo que enregele), que não passa calor (com este frio polar tenho medo de o agasalhar excessivamente), que não se engasga com o leite, a sopa e as papas, que está devidamente protegido no automóvel, que vai bem preso no ovinho ou que fica bem quando o deixamos sozinho a dormir no berço. Neste último aspecto o intercomunicador da Philips Avent tem sido uma preciosa ajuda, deixa-me totalmente tranquila estar na sala ou em qualquer outro ponto da sala a controlá-lo pelo monitor e a ouvir o mínimo ruído. Às vezes dou por mim longos minutos a olhar para o monitor só a vê-lo dormir, e o homem lá tem de me relembrar que o objectivo de um intercomunicador é precisamente não termos de estar sempre em cima do miúdo. Mas é mais forte que eu, mesmo que não queira estou sempre a deitar-lhe um olhinho. Agora mesmo, enquanto escrevo este texto tenho o monitor ao lado do computador e distraio-me imenso a olhar para o Mateus. Fico embevecida, o que é que querem?

 

 

 

O intercomunicador SCD610/00 , que permite ver o bebé  a cores durante o dia e a preto e branco via infravermelhos durante a noite.

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publicado às 08:48


4 comentários

De A Pipoca Arrumadinha a 02.12.2013 às 18:19

Artigo bem úteis sim!

De Diana a 03.12.2013 às 01:40

Provavelmente a Inês nunca dormiu num Hospital ao lado da cama do filho, enquanto ele estava monitorizado e com oxímetro, após um traumatismo craniano. Desculpem-me, mas há que ser obsessivo. Sim.

Adoro, no entanto, opiniões diferentes. Fazem-me abrir a cabeça e os olhos, mas não mudo de opinião.

De onossolugar a 03.12.2013 às 17:13

Encontrar o meio termo é sempre o mais difícil. Cá em casa, acontece justamente o contrário, eu sou bem mais descontraída e o meu marido mais mariquinhas. Quando o nosso filho começou a percorrer a casa toda agarrado aos sofás e móveis, se eu tivesse deixado, o meu marido teria almofadado mobília, mesas, cadeiras, enfim, tudo... A única coisa que fiz, foi proteger os cantos de 2 mesas de vidro pequenas, de resto tudo ficou como estava e claro a porta da despensa sempre fechada. Graças a todos os Santinhos, nunca aconteceu nenhuma desgraça. As coisas quando têm de acontecer acontecem e eles precisam de aprender muita coisa por eles.
Há uma altura em que a palavra que dizemos mais é "não":
"não, o bebé cai" ou "não, o bebé magoa-se" ou "não mexe" e será essa também que o Mateus irá aprender mais depressa o significado.
Bjs e tudo a correr bem!

De menina a 04.12.2013 às 15:54

Não te sintas mal... pode até só ter que ver com a tua experiência de vida, com tudo o que aconteceu.

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