Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



O que muda com os filhos #2

por O Arrumadinho, em 01.04.13

Neste segundo texto sobre este assunto, queria falar de pais que se anulam enquanto pessoas e de sexualidade.

 

Um dos maiores problemas após o nascimento da criança tem a ver com o facto de muitos pais deixarem-se anular por completo. Privam-se de fazer tudo, mas mesmo tudo, por causa da criança. Não há cinemas, não há férias, não há jantares de amigos, não há saídas a dois, porque primeiro está o bebé. Naturalmente que quem nunca teve um filho fica assustado com essa tal realidade nova, não sabe o que fazer, mas por isso disse que é preciso conhecer as regras de jogo, e as regras de jogo dizem que é preciso ter bom senso, é preciso ser adulto, é preciso perceber que sem momentos de felicidade a dois (ou até sozinhos - porque também precisamos de tempo para nós, homens e mulheres) jamais haverá momentos de felicidade a três, porque a união quebra-se, porque ninguém é feliz, porque deixou de haver um amor entre três pessoas, e passou apenas a haver uma mãe que ama um filho, um pai que ama um filho, e não há um pai que ama uma mãe, apenas um homem e uma mulher que tratam de uma criança.

 

A sexualidade também desempenha um papel fundamental nesta fase da vida de um casal que vai ter ou teve recentemente um filho. Quando falo de sexualidade falo sobretudo de intimidade. A baixa auto-estima das mulheres leva a que muitas vezes se afastem dos companheiros, que recusem todos os contactos ou aproximações mais íntimas. As hormonas também têm aqui um papel importante, é evidente, e os níveis de desejo podem baixar significativamente. Mas uma coisa é não ter desejo, outra é afastar-se sexualmente do companheiro durante três, seis, nove meses, ou por vezes durante mais tempo. Não chega dizerem-nos "Olha, amanha-te, porque agora tive um filho teu e não me apetece". Da mesma forma que os homens têm de perceber que nesse capítulo as coisas são diferentes, as mulheres devem entender que não podem, pura e simplesmente, deixar de existir enquanto mulheres e passarem a ser exclusivamente mães. Muitos amigos meus queixam-se disso mesmo: "Agora já não tenho mulher, tenho uma mamã lá em casa". E isso é outro dos factores que levam ao afastamento entre os casais.

O sexo é uma forma de aproximação entre os casais em qualquer altura, é um momento de intimidade e amor. E quando isso se vai, lá está, tudo o resto pode ruir.


Próximo tópico sobre este assunto: "A estrutura familiar", para ler amanhã, terça-feira, 2 de Abril, a partir das 14h.


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


19 comentários

De Catarina a 01.04.2013 às 14:02

Pontualíssimo!!! :)

De Catarina a 01.04.2013 às 14:10

Concordo que não pode deixar de haver um casal que se ama e que precisa de tempo para si, mas isso nem sempre é fácil de se conseguir.
Conheço vários casais que não têm família a viver perto deles. Como poderão planear um jantar a dois ou uma ida ao cinema quando não têm com quem deixar o bebé?
Sejamos realistas, os amigos, por muito bons e prestáveis que sejam, poderão não estar disponíveis para ficar com uma criança durante algumas horas.

Amanhã cá estarei à mesma hora! :)

De Marta a 02.04.2013 às 10:26

Se forem amigos verdadeiros certamente que se diponibilizarão para tal !!!
Felizmente tenho um grupo de amigos espectacular ... alguns casados, alguns solteiros, casais com filhos, casais sem filhos ... e é claro desde que não haja abusos as crianças de vez em quando ficam nas casas dos "tios" emprestados :)

De sonia duarte a 01.04.2013 às 14:46

Pois eu acho que o casal também deve aprender a viver a nova fase sem tudo o que tinha antes. Com muito menos, ou mesmo com nada. Durante algum tempo. E meterem na cabeça que estão numa nova fase. E que as coisas deixaram de ser o que eram. Queixam se q agora só têm uma mamã? Se calhar o problema é contrario. Agora não têm mamã. E nao lhes apetece ser papá.

De Joana a 01.04.2013 às 15:04

Quando comecei a ler o comentário não concordei (porque acho que apesar de mudar muito, não se pode mudar tudo e é possível recuperar alguns momentos), mas a partir de "Se calhar o problema é contrario. Agora não têm mamã. E nao lhes apetece ser papá." admito que em muitos casos é o que se passa. Depois tens de falar disto, arrumadinho :)

De ... a 01.04.2013 às 15:00

Já uma vez tinha lido este seu post do outro lado. Não que não concorde, mas não se esqueça que a sua realidade não é igual à de todos..por exemplo:

"Não há cinemas, não há férias, não há jantares de amigos, não há saídas a dois, porque primeiro está o bebé. " Partindo do princípio de que eu e o meu marido, que não temos ninguém, NINGUÉM, nenhum familiar nem pessoa por perto a quem deixar o bebé (com outro a caminho), como vou ao cinema? Como ignorar a frase do "primeiro está o bebé?? Eu não deixo de fazer as coisas por causa de me anular e de primeiro está o bebé, mas onde deixo o bebé para as fazer? Como vamos sair só os dois? Eu bem gostava...o anular nesse sentido não parte só do que desejavamos, parte das nossas possibilidades e alternativas, e nós não temos. Mas continuamos a tentar fazer tudo mesmo com o bebé atrás, embora sendo uma criança super histérica que não aguenta nem nunca aguentou estar parada num sítio, jantares, por exemplo, acabam por ser muito mais stressantes que compensadores. Eu sei que a minha realidade é minima, e a maior parte das pessoas tem os pais, os sogros, a tia, o cunhado, a tia avó, etc etc..mas há quem não tenha, não se esqueça. Se vivo feliz assim?? Vivo. Mas se gostava de volta e meia poder ir sossegada comer algures, ir ao cinema, etc?? Claro. Mas a unica alternativa seria entao nao ter filhos, e pesou mais a decisao de os ter.

Quanto à sexualidade, claro que só pode avaliar o lado dos "maridos"..mas no meu caso, com o parto terrivel, em 3 horas seguidas aos gritos na parte expulsiva, e um pos-parto sem caminhar, doente, febril, um caco...eu nunca quis o marido a assistir. Mas como muito positiva que sou e naquela já madrugada sem ninguem mais no hospital e confiantes, ele la foi atras de mim. nao sabia o que me esperava, como ninguem sabe, e tanto pode correr bem como mal. Pois bem..o meu marido nunca mais, mas nunca mais foi o mesmo. Temos uma media de 1 relaçao sexual a cada 2 meses. Sinceramente não sei se somos menos felizes ou nao..custa-me mais o sentir que nao lhe interesso do que propriamente a falta. Perguntei-lhe se assistir ao parto fez diferença..respondeu-me: "não sei "(o sim dos cobardes, o sim de quem nao quer magoar). Obvio que sim! Uma mulher sofre por vezes que nem um cao para parir o bebé, sofre que nem um cão para amamentar, sofre com o corpo completamente alterado (há quem recupere porque é genetico, ha quem por muito creme que ponha fique uma lastima, fique com uma mama muito maior que a outra no fim, fique uma especie de monstrinho), e o feedback que tem é este. Eu sou feliz, a serio que sou, mas que poderia eu fazer quanto a isto?? Ja falamos sobre o assunto, mas as palavras nao mudam os sentimentos a esse nivel, e ainda que se faça um esforço nesse sentido, sentirei que é um esforço hipocrita da parte dele. Mas ainda bem que nem todas as realidades são como a minha e que maior parte das vezes são as mulheres quem por outros motivos estão "supostamente" em falta.

De júlia a 01.04.2013 às 16:18

1 relação sexual a cada 2 meses? meu deus! não quero estar a fazer julgamentos injustos, mas acho que quando se ama de verdade gosta-se de fazer amor.

De ... a 01.04.2013 às 17:03

e acha que à priori eu nao concordaria consigo?? Apenas garanto que amo, e que na nossa relação há tudo\sexo...assim como há relações em que não há nada\sexo. E se realmente o parto mexeu com ele e nao consegue desejar-me ou ter vontade?? Que vou eu fazer?? Que vou eu fazer se tudo está bem, se até gozamos com a nossa frequencia de terceira idade?? Se este é um calcanhar de Aquiles?? É, sobretudo porque me faz sentir-me não desejada (e volto a dizer, amo-o, e passam longas semanas sem sentir vontade de fazer, e não o amo menos por isso. Há quem faça muito mais e não ame genuinamente nem 1/4); Se é o único senão da relação?? É. Numa posição exterior acharia exatamente o mesmo que a sua opinião...apenas demonstrava como há vezes em que a culpa da mudança sexual do casal não é a mulher, é o homem.

E claro..se a mulher não quer e se "escapa", a culpa é dela, não está a cumprir. Se, como no meu caso, é ele que não demonstra interesse, de quem é a culpa?? Da mulher..claro..ou porque não está a seduzir, ou porque se desleixou consigo mesma (o que é mentira)...odeio o cliché das diferenças homem/mulher, mas a verdade é que esta continua a existir. Se somos nós a culpa é nossa, se são eles a culpa é nossa, preso por ter cão, preso por não ter e preso por ter o cão preso.

De Rita a 01.04.2013 às 17:10

A mim foi a Procriação medicamente assistida ao longo de 6 anos que fez com que a vida sexual se alterasse drasticamente. Uma, duas, três relações sexuais por mês... Não o amo menos por isso.

De Chicca Maria a 01.04.2013 às 18:05

Júlia, ninguém diz que não se gosta de fazer amor. Não sei se é mãe, mas há dias (ou noites) em que mal temos força física para o bebé. Eu cheguei a adormecer a dar de mamar, tal era o cansaço. Nos primeiros tempos depois da minha filha nascer não tinha vontade nem força física para fazer amor. Eu precisava era de dormir. Não foi porque deixei de gostar de fazer amor.
Sabe que as hormonas têm um papel muito importante na vida sexual, e numa fase pós-parto, as hormonas andam todas descontroladas.

De Anónimo a 01.04.2013 às 17:03

"Não há cinemas, não há férias, não há jantares de amigos, não há saídas a dois, porque primeiro está o bebé. " Partindo do princípio de que eu e o meu marido, que não temos ninguém, NINGUÉM, nenhum familiar nem pessoa por perto a quem deixar o bebé (com outro a caminho), como vou ao cinema? Como ignorar a frase do "primeiro está o bebé?? Eu não deixo de fazer as coisas por causa de me anular e de primeiro está o bebé, mas onde deixo o bebé para as fazer? Como vamos sair só os dois? Eu bem gostava...o anular nesse sentido não parte só do que desejavamos, parte das nossas possibilidades e alternativas, e nós não temos. Mas continuamos a tentar fazer tudo mesmo com o bebé atrás, embora sendo uma criança super histérica que não aguenta nem nunca aguentou estar parada num sítio, jantares, por exemplo, acabam por ser muito mais stressantes que compensadores. Eu sei que a minha realidade é minima, e a maior parte das pessoas tem os pais, os sogros, a tia, o cunhado, a tia avó, etc etc..mas há quem não tenha, não se esqueça. Se vivo feliz assim?? Vivo. Mas se gostava de volta e meia poder ir sossegada comer algures, ir ao cinema, etc?? Claro. Mas a unica alternativa seria entao nao ter filhos, e pesou mais a decisao de os ter.

Não mudo uma vírgula desta parte do seu comentário, pois é a minha realidade sem tirar nem pôr.
E é também a realidade de muitos outros casais, e ter um filho não é pêra doce, dá muito trabalho, em que andamos exaustas, a vontade de fazer seja o que fôr não é muita principalmente quando não se tem ajuda de ninguém e se tem um bebé que chora dia e noite. Não é que nós nos queiramos anular, mas às vezes não temos alternativa. Quanto à sexualidade, não é fácil voltar à normalidade, mas com um pouco de vontade e compreensão de ambas as partes consegue-se ir retomando aos poucos a vida pré-bebé.

De Bemama a 01.04.2013 às 22:57

Olá, apenas comentei para lhe dizer que me emocionou imenso ler as suas palavras, escreve tao bem que quase que consigo sentir alguma da tristeza que tem e a nostalgia do que foi. Um abraço muito forte e desejo lhe que seja muito mas muito feliz .

De sd a 01.04.2013 às 16:37

Joana, o meu nao assistiu aos partos. . Do 2 filho durante mais de 1 ano não me procurou. À noite, virava me as costas. Falar? ! Isso não é coisa de gajo. É esperar que passe. E quando lhe passou, quando quis voltar, eu já nao era a mesma. Mas a culpa deve ser minha. Ainda a recuperar.

De SC a 02.04.2013 às 11:57

E como é que ele satisfez a vontade durante esse período de mais de um ano?

De Dina a 01.04.2013 às 21:21

Fui mãe há pouco tempo (9 meses) e concordo a 100% com o que dizes. mas a verdade é que a vida dá-nos a volta :) Os primeiros dois meses são horríveis e quando dormes 2/3 horas por dia a única coisa que te apetece é ter intimidade (tanto a mulher como o homem) e depois é um ritmo alucinante entre fraldas, mamas, arrotos, hormonas aos pulos e companhia. Mas com o tempo, tudo volta ao que era, com bastante esforço de ambos os lados. Mas depois dos primeiros meses consegue-se fazer quase o mesmo do que antes e és-se muito mais feliz

De pai para toda a obra a 01.04.2013 às 22:43

Tenho dois filhos e somos só eu e ela e arranjamos sempre tempo para namorar e para sexo. Até já faltámos os dois ao trabalho para nos encontrarmos, sem os miúdos.
Quanto ao parto, no 1º não cheguei a tempo, no 2º, vi tudo e cortei o cordão e voltava a fazer tudo outra vez. Continuamos a ser dois, mas com mais dois.

De júlia a 02.04.2013 às 19:58

Arrumadiho, podes dizer o que achas quanto ao pai assistir ao parto? Sempre achei que o pai dos meus futuros filhos gostasse de assitir ao parto (já que é pai) e nunca vi qualquer problema nisso... Mas há comentários que provam o contrário.

De ... a 02.04.2013 às 20:23

Por acaso também gostava de ler a perspetiva masculina, embora ache que seriam necessarias varias opinioes de partos que correram de forma diferente. Sim, uma coisa é o homem entrar, a mulher fazer 3-4 puxoes, e em 10 minutos o periodo expulsivo estar terminado. Acho que numa situação assim, é optimo. Mas e se uma mulher está horas na parte expulsiva, e cortam, e vai metem forceps pelo canal de parto a dentro, e vai e rodam, e a mulher a gritar e a gritar, e os cheiros de sangue e liquidos, e etc.. (isto foi uma das coisas que fez o meu quase desmaiar, ao fim de estar duas horas numa sala pequena a ouvir-me gritar queixou-se que os cheiros o estavam a nausear, que se começavam a apoderar, sentiu-se mal e teve de ser encostado a um canto e beber copo de agua com açucar. Pior, porque o sentaram exatamente no canto que ficava de frente para tudo o que estava a acontecer). Tenho uma amiga que teve partos santos, mas como não sabia como iriam correr, não deixou o marido entrar. Hoje arrepende-se, mas admite que se arrepende porque correram bem. É enfermeira, e por ter assistido a várias situações opostas, preferiu não arriscar. Acho que se quer muito, arrisque, mas avise a enfermeira auxiliar que, caso verifiquem que será necessária instrumentalização ou que aparentemente você está a ficar em delírio de dores, que convidem o pai, caso ele não se importe, a sair um pouco.
Outra coisa a ter em atenção, e claro isto varia de maternidade para maternidade, mas se é uma daquelas em que levam o bebe para dentro para vestir enquanto sai a placenta e resto de material uterino, e (eventualmente) a cosem, o papá que saia com o bebé. Lembro-me de que após o alívio da saída do bebé, todas as dores recomeçaram com a saída de coisas que nem sei bem o nome, que caiam numa especie de alguidar na frente, e que com o sangue já nele fizeram salpicos. O meu marido descreveu aquilo como saído de uma cena do Dexter (desculpem os pormenores). Eu nunca o quis lá, e foi o meu super otimisto (que deveria ser adjetivado de inocencia) e as circunstancias momentaneas que o fizeram ir lá parar (ele também nunca demonstrou que queria assistir); o que garanto é que deste não mete lá os pés. Mas isto é a minha historia, e esperemos claro que a sua seja muito melhor. Arrisque com as condicionantes, mas se é algo que relamente quer será até positivo para si a presença dele dentro de uma situação normal.

De :o) a 03.04.2013 às 14:47

Eu estou gravida de 14 semanas de gémeos. O meu marido e eu , havia alturas em que fazíamos amor todos os dias da semana. Desde que descobrimos que estou gravida, embora eu manifeste desejo, ele diz que não se sente a vontade para ter relações sexuais. Eu compreendo, mas pergunto-me se isto se ira prolongar até depois do parto. As vezes até sou chata mas as hormonas tomam conta de mim. Nunca pensei que estando gravida tivesse tanto desejo sexual. E também não pensei que ele o perdesse...

Comentar post






Digam-nos coisas

apipocamaisdois@gmail.com

Pesquisar

Pesquisar no Blog  


Arquivos

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D