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O que muda com os filhos #3

por O Arrumadinho, em 02.04.13

Continuando com este assunto, queria agora falar sobre o apoio que um casal pode/deve ter após o nascimento de uma criança.


Uma estrutura de apoio aos novos pais é fundamental para que se atinja o bem-estar. As coisas são muito mais fáceis quando existem por perto avós, tios, irmãos, primos, amigos disponíveis que possam, de vez em quando, dar uma ajuda, principalmente possibilitando ao casal deixar a criança por uns momentos com alguém para que possa fazer qualquer coisa a dois, nem que seja só para arejar a cabeça.

 

Lembro-me de quando fui pai ter tido alguns dias de verdadeiro desespero, em que o miúdo começava a chorar às 6 da tarde e só parava às 10 da noite. Era a fase das cólicas, em que os bebés choram de dores e nós temos ali um filho nos braços a sofrer e não podemos fazer muita coisa para mudar isso (sim, eu sei que se podem fazer as massagens, e que há formas de os aliviar das cólicas, e medicação — fiz isso tudo, mas há uns casos piores do que os outros, e por vezes nada os alivia, nada os faz parar de chorar). Numa dessas alturas, em que tinha o miúdo ao colo há umas duas horas, lembro-me de ter começado a ficar stressado, nervoso, desesperado. Pedi à mãe para o segurar um pouco e fui dar um volta pela casa, para inspirar e expirar. E fez-me bem. Não tanto em casos destes, em que os miúdos têm um qualquer problema, mas em todos os outros, é importante haver alguém por perto que nos possa segurar as pontas por uma manhã, uma tarde, uma noite, um fim-de-semana, para que o casal possa sair das rotinas normais, esquecer as fraldas, ir ao ginásio, passear, ao cinema, jantar fora, sair com amigos, no fundo, para que os pais deixem de ser pais durante aquelas horas, ou aqueles dias, e voltem a ser um casal, voltem a fazer coisas normais e que lhes dão verdadeiro prazer.

 

O problema é que para muitos pais recentes fazer isto é quase um crime. Acham que não têm de sobrecarregar os outros com obrigações que são deles, têm medo que os avós não saibam cuidar deles se acontecer alguma coisa, têm medo que a tia não saiba mudar a fralda ou que lhe dê a sopa muito quente, têm medo que a amiga que até tem dois filhos deixe cair o bebé pelas escadas abaixo, têm medo que o cão dos primos ataque a criança, enfim, tudo serve para que prefiram ficar sempre com a criança, e nunca a deixem com ninguém. O resultado disso está no post anterior.

Acho que ser descontraído em algumas coisas pode fazer de nós melhores pais. A obsessão, seja lá de que forma forma, é sempre prejudicial. E o caso dos filhos não é excepção.


Para finalizar este tópico, poderão ler o último post, sobre "O papel do pai". Será publicado amanhã, quarta-feira, dia 3, a partir das 14h.

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publicado às 14:00


18 comentários

De R. a 02.04.2013 às 14:28

E quem nao tem estrutura de apoio, como faz? LOL Nao tem filhos?
Acho engracado considerar que é uma opcao dos pais não deixar os filhos com outras pessoas. Mas ja pensou que muito frequentemente essa é a unica opcao? (principalmente agora, que toda a gente está a sair do país e não tem uma rede de suporte).
Tomara imensos pais ter família a viver perto, avós, tios e primos a quem recorrer. Nao acho que seja muito razoável deixar bebés pequenos com amigos, é uma responsabilidade tremenda, e um favor que não se deve pedir até determinadas idades.
E claro há sempre a hipótese de babysitters, mas dependendo dos países, é preciso fazer algumas contas antes de pensar em sair sem bebés :)

De sara a 02.04.2013 às 14:44

Eu também tive esse problema. O meu filho chorou, ou melhor gritou, dia e noite até aos dois meses e meio de vida. Quando ele tinha 15 dias deixei-o a dormir em casa dos meus pais. não me senti mal por isso, porque sabia que ele estava bem entregue. Aliás até os médicos e enfermeiros me disseram para fazer isso, porque quando fui com ele à primeira consulta eu parecia um zombie...
Conseguimos dormir uma noite tranquilos, apesar de eu ter acordao de noite e ter dito ao meu marido que o bebé estava a chorar....

De mae48horaspordia a 02.04.2013 às 15:01

Realmente é muito importante e quando se pode contar com essa ajuda é óptimo. O problema é que infelizmente cada vez menos a familia quer trabalho e responsabilidades, ou sou eu que tenho azar, porque tenho 2 filhos, um deles bebé e os avós nunca ficaram com ele...
Espero que tenham mais sorte e felicidades

De Bárbara Reis a 02.04.2013 às 15:07

Concordo plenamente com tudo o que foi escrito..
E eu, com um bebé de 15 meses, só tenho pena de não ter ninguém a quem recorrer..
Há dias em que tenho pensamentos ditos pecaminosos: "Onde tinha eu a cabeça quando decidi ter um filho", etc, etc..
E o meu filho só há cerca de 2 meses é que me dá noites completas..
Vale imenso o apoio do meu marido e a nossa cumplicidade como casal.
Porque há dias que parece que vou cair de cansaço e que o dia de trabalho vai estoirar-me com os miolos.
Há dias em que só me apetece chorar e fugir para bem longe.

Mas depois, o meu bebé sorri-me, faz uma graçola nova e todos os sentimentos negativos desaparecem..

Mas sim, concordo que os pais devem recorrer de vez em quando a algumas ajudas externas para poderem respirar fundo.. Há dias bem dificeis..

Mas ser pai é isso mesmo, é superarmo-nos e tentarmos ser os melhores (embora com falhas, mas sempre a aprender).

Mamã Bárbara

De BM a 02.04.2013 às 15:14

Nem mais! Espero, um dia quando for mãe, conseguir fazer essa "quebra" para o bem da minha sanidade mental e dos que me rodeiam.

A teoria está toda lá, espero que consigam pôr em prática quando chegar o momento certo.

Felicidades para os 3!

De LC a 02.04.2013 às 15:28

Boa Tarde.

Não posso deixar de comentar que neste momento, muitos casais jovens como eu, não têm a quem deixar os filhos... é a consequência das emigrações, a minha irmã vive na Aústria e o meu cunhado na Suíça, eu e o meu parceiro na Alemanha Ocidental, os meus pais em Portugal (com muitas deslocações a Angola) e o pai do meu parceiro na Alemanha Oriental (7 horas de carro). Todos trabalham, por isso a nossa única opção são amigos... e só vivemos cá há 1 ano, por isso não temos muitas opções... Suponho que haja cada vez mais casos como o meu.

De Nanda a 02.04.2013 às 15:59

Não é crime nenhum! Já deixei a minha bebé de 2 meses várias vezes, ou com o pai ou com os avós, para ir dar uma voltinha ao shopping, a um aniversário...se não o fizesse, já tinha enlouquecido e não era bom nem para mim nem para a bebé.

De Teresa rc a 02.04.2013 às 18:18

Isso partindo do principio que existe, de facto, quem possa ficar com a criança. No meu caso, a viver a vários milhares de km de todos, nunca tive a hipótese de desopilar um minuto que fosse dos meus filhos, menos qdo estive internada no hospital. Claro, exactamente por terem ficado com o pai eu fui a única a n ter uma visita os dias todos. Em casos como o meu - extremos, bem sei- a única opção é pagar quem fique com as crianças. E isso para ser bom, é caro. E eu n posso pagar. É a vida.

De júlia a 02.04.2013 às 20:05

só 4 posts? este assunto dá pano para mangas? tenho pena que não escrevas mais coisas, a tua opinião é sempre interessante!

De ML a 02.04.2013 às 22:02

Não podia concordar mais. Por cá enquanto amamentava foi complicado essa gestão. Não o consegui deixar por muito tempo, pois apesar de tirar leite e deixar sempre para o caso de lhe dar a fome mais cedo nunca conseguia ir descansada porque tinha receio que o leite não chegasse ou que houvesse um ataque de cólicas que ninguém o conseguisse calar.

Depois com a fase das cólicas a desaparecer, com a introdução do leite em pó a coisa mudou de figura e aos 4 meses dormiu a primeira vez nos avós! Foi um descanso!!

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