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Loucas são as noites que passo sem dormir

por A Pipoca Mais Doce, em 24.07.13

Nesta coisa da maternidade já percebi que isto gira muito em torno da teoria "tentativa-erro". Quando não se tem muita experiência (ou mesmo nenhuma), e quando ainda não se conhece muito bem o bebé que nos calhou, vai-se tentando. Umas vezes acerta-se, outras não, mas o instinto também ajuda muito. Um dos meus maiores medos, como aqui partilhei em tempos, era não fazer a mínima ideia de como tratar de um bebé. Nunca tinha mudado uma fralda na vida e nunca tive bebés ao meu redor para ir pegando e praticando. Mas depois nasceu o Mateus e, ao fim de apenas uma semana, parece que nunca fiz outra coisinha na vida. Não tenho medo de lhe pegar ou de o partir (quer dizer, tenho, mas já percebi que eles não são assim tão frágeis) e mudar fraldas tornou-se algo tão natural como a sua sede. E, estranhamente, apesar de ser um processo que envolve cocó, é uma coisa que se faz com alegria (apesar de ele berrar como se não houvesse um amanhã). Dar colo, limpar, vestir e alimentar é, sem dúvida, a parte mais fácil e mecânica. Mas depois há coisas mais complexas, como o sono. Ainda esta semana vou deixar aqui algumas das dicas que a Constança, do Espaço Cegonha, partilhou connosco e que eu acho que são mesmo muito interessantes. Tal como o meu homem escreveu no texto abaixo (ora seja bem-vindo), estávamos a fazer algumas coisas mal no que ao sono diz respeito. Ou menos bem. Nas minhas teorias sobre filhos, sempre defendi que a cama dos pais é a cama dos pais, e que os bebés dormem nos berços ou nas suas próprias camas. É um bocado aquilo que se vai ouvindo e que nos vão incutindo. "Cuidado com o excesso de colo". "Cuidado para não criares um monstro". "Não  o habitues mal". "Olha que se não fizeres assim logo de início nunca mais tens mão nele". E uma pessoa vai ficando com isto na cabeça e, quando o bebé nasce, essas ideias vêm ao de cima. Acho que não nos podemos queixar. Temos um puto calmo, de dia mal se dá por ele e só à noite rabuja um bocadinho. De dia vai dormindo no berço, vai dormindo na alcofa, vai dormindo ao nosso colo, vai dormindo na nossa cama (ainda hoje fizemos uma sesta bem boa, só os dois). À noite também se aguenta, mas só até o acordarmos para comer e mudar a fralda (temos de o acordar obrigatoriamente a cada três horas). Tiramo-lo do berço, levamo-lo para o quarto dele, e o problema é depois, para voltar. Depois de ter tido colo já não acha muita graça a voltar para o berço. Na maternidade era mais fácil. Tirava-o do berço, dava-lhe de mamar e, muitas vezes, deixava-o ficar uma ou duas horas a dormir comigo, antes de o devolver ao berço. Nem pensava muito no caso. Ficava mais tranquila por o ter ali ao meu lado, e tranquilidade é tudo o que se precisa nessas primeiras noites em que uma pessoa fica sozinha com um bebé nos braços e com os seus pensamentos (nem sempre muito cor-de-rosa). Pensava "quando formos para casa logo lhe impomos disciplina para dormir". E assim foi. Mas, como dizia, corre tudo muito bem até termos de o tirar do berço a primeira vez, geralmente por volta das três da manhã. Quando o voltamos a pôr lá começa a choraminguice. Tentámos resistir a tirá-lo, deixá-lo acalmar-se sozinho até adormecer de novo, mas depois ninguém dormia. Ele não dormia por se sentir infeliz, e eu a mesma coisa. A cada barulhinho dele lá estava eu o o pai a saltar da cama para ver se estava tudo bem, se não se estava a engasgar ou a sufocar. E pronto, perante este stress decidimos levá-lo para a cama e deixá-lo acalmar-se perto de nós. E, claro, lá vieram os problemas de consciência. Que talvez estivesse a fazer mal, que talvez estivesse a mimá-lo em excesso, que talvez nunca mais o conseguisse pôr a dormir sozinho... enfim. Decisões, decisões! Até que a Constança veio cá a casa e nos tranquilizou. Como qualquer bebé, e sobretudo sendo prematuro, o Mateus está a adaptar-se ao mundo cá fora. Saiu da minha barriga, onde estava sempre bem e feliz, e foi largado às feras. E é à noite que ele sente mais isso: sozinho no berço, com tudo escuro, em silêncio, a esticar os braços e a não sentir nada à volta. Não deve ser fácil. Por isso, o colo foi autorizado, o mimo foi autorizado, umas horinhas (ou a noite toda) na nossa cama são autorizadas. Mas, tal como eu comecei por dizer, acredito que isto é tudo uma questão de tentativa-erro. Por isso, a noite passada, fiz uma experiência. Em vez de o devolver logo ao berço depois de comer, ainda meio acordado, fiquei com ele ao colo no quarto dele, à espera que adormecesse. Liguei-lhe a Lâmpada Mágica, da Chicco, com o som do bater do coração, e ali ficámos. Ao fim de uns minutos, quando percebi que estava a dormir, levei-o pé ante pé até ao berço, e lá o deixei, juntamente com a lâmpada. Acho que a conjugação de factores ajudou, aguentou-se uma hora e tal até despertar e começar a choramingar. Acredito que se ficasse só ali ao lado dele, a dar-lhe a mão, ele voltaria a adormecer, mas a minha condição física ainda não me deixa ficar muito tempo debruçada sobre um berço. E, confesso, estava mortinha por o levar para a cama e o encher de mimo até adormecer. Hoje farei uma nova tentativa, a ver como corre. Basicamente, não estamos a stressar muito com este assunto. Queremos mesmo é andar todos felizes e contentes. Nós e ele. Daqui a dois meses, quando ele já estiver mais ambientado ao mundo, logo começamos a pôr em prática a disciplina do sono, com a ajuda da Constança. 

 

Tal como o meu homem disse, o facto de estarmos os dois totalmente disponíveis para o miúdo e de nos revezarmos em tudo, torna a coisa muito mais fácil. "Trabalhamos" por turnos e assim conseguimos os dois descansar. Já houve noites em que eu o vi mais cansado e trocámos o turno, e o contrário também acontece. Já decidimos que um dia destes, se nos sentirmos verdadeiramente esgotados, vamos instituir a "Mateu's free night", uma noite em que um de nós vai para o quarto de hóspedes com o berço do miúdo e o outro pode dormir a noite inteirinha. Cheira-me que quando for a minha noite de dormir vou passar o tempo todo a ir lá perguntar se não precisam de uma ajudinha. Eu lá me aguento oito horas sem pôr os olhos e as mãos em cima deste miúdo!

 

(a miraculosa Lâmpada Mágica, da Chicco, com luzes e sons do coração, do mar, da floresta, etc)

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publicado às 21:59


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