Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



As noites...

por A Pipoca Mais Doce, em 06.09.13

Cá em casa, como é sabido, fazemos turnos para aturar adorar a criança à noite. Uma noite fico eu de olho no rebento, na noite seguinte fica o homem. Agora, e para o outro conseguir descansar devidamente,  de vez em quando quem está de turno passa a noite noutro quarto com o miúdo. Foi assim que eu já consegui dormir oito ou dez horas seguidas, um verdadeiro oásis no meio das más noites que temos tido. A nova tendência "noites Outono/Inverno 2013/14" tem sido... não dormir! O Mateus agora lembrou-se que giro, giro é dormir horaaaaaaas e mais horas durante o dia e depois ficar acordado à noite. A chorar, claro. Eu não me importo que ele esteja acordado, a sério que não, e até nem me importo de ficar acordada com ele, a ler, a escrever ou a ver televisão, mas com ele aos berros é impossível. Uma destas noites foi da meia-noite às sete da manhã, outra noite foi das três às dez. Uma alegria. Ora eu, mulher de acção, tratei logo de saber o que é que se podia fazer para inverter o processo. E, uma vez mais, entrou em acção a minha querida Constança, do Espaço Cegonha. Liguei-lhe e ela lá me disse que, apesar de ter só sete semanas, talvez já pudéssemos começar a tentar estabelecer uma rotina de sono para o Mateus seguir diariamente. Como nessa noite era eu a estar de turno, pus logo em prática os ensinamentos: banho às oito e meia, biberão no quarto, já às escuras e com uma música de fundo ou white noise, embalar um bocadinho e... cama! Foi espectacular. Rabujou uns minutos mas adormeceu sozinho em menos de nada (fui para a sala e fiquei a controlá-lo com a câmara do intercomunicador) e só acordou por volta da uma, para comer. Dei-lhe o biberão e voltou (voltámos) a dormir até às seis da manhã, altura em que acordou para nova refeição. Não houve gritos, nem choros, nem horas a fio acordado. Foi a chamada noite santa. No dia a seguir, tentámos repetir, mas já não correu tão bem. O miúdo foi acometido de um mega ataque de cólicas que fez com que berrasse das onze às quatro da manhã. O meu homem, que estava de turno, diz que tentou tudo e mais um par de botas, sem sucesso. E, claro, queixou-se que só nas noites dele é que o Mateus apronta. Não é verdade, eu também já tive noites do demónio. A diferença é que quando isso acontece tento logo perceber o que correu mal para garantir que para a próxima corre melhor. Não papo grupos (linda expressão). Por isso, ontem lá fomos nós em missão SOS para o Espaço Cegonha, onde a Constança nos explicou mais algumas técnicas para garantir um sono angelical. E esta noite pequeno Mati voltou a portar-se lindamente, só acordou para comer e, alegria das alegrias, sem berros nem choros. Estou muito apostada nesta coisa de estabelecer rotinas e tentar cumpri-las, acredito que é meio caminho andado para o Mateus começar a diferenciar o dia a noite e perceber quando é que é para dormir e quando é que é para a rambóia!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:06


54 comentários

De Ruben Quintas a 08.09.2013 às 01:15

Pois é mesmo assim...uns ganham a sorte de ter um filho geneticamente acertado, outro tentam aperfeiçoar. Certo certo é mesmo estabelecer rotinas ou, em caso extremo, aparecer em Gaia no Port Wine Fest...

De Susana a 08.09.2013 às 02:08

Minha querida

Como exercício para as noites em claro gostava que me nomeasse um animal na natureza ou uma fêmea que deixa as suas crias a chamar por ela toda a noite.

Rotinas, rotinas, regras, regras....Tem sete semanas, certo?!??
Por favor. Está a criar um robot ou uma criança completamente indefesa?
Já pensou que o contacto da sua pele, o seu calor e cheiro, a mama ( se tiver o prazer de a dar ele de a receber) e o som do seu coração são as únicas coisas que ele precisa? É um bebé indefeso.
Quando diz que não se importava que estivesse acordado desde que a deixasse fazer certas rotinas de lazer fico mesmo triste. Pergunto se teve este bebé para se criar sozinho ou se tinha ideia de que ele poderia precisar mais de si do que os bebés bem comportados das outras pessoas.

Por favor, dê de si. No momento em que se disponibilizar totalmente para ele e não criar expectativas será uma mãe completa. Depois é vê-lo crescer feliz, com afectos. Rotinas são algo que jamais se coloca a um bebé de 7 semanas.

Felicidades.

De A Pipoca Mais Doce a 08.09.2013 às 22:02

Tem de vir sempre uma alma fazer uma leitura totalmente diferente daquilo que eu digo. Onde é que eu escrevi que deixo "a cria" a chamar toda a noite pela mãe? Atendemos sempre os choros do Mateus, pegamo-lo ao colo, damos mimo com fartura. Mas uma coisa é ele estar a chorar, outra é rabujar um bocadinho para adormecer, o que é normal. É importante que eles aprendam a sossegar sozinhos e a perceber que não há problema em adormecerem, porque se precisarem basta chamar e a mãe ou o pai aparecem. De qualquer forma, ele só fica sozinho no quarto entre as nove da noite e a uma da manhã (e sempre controlado pela câmara), porque ainda é demasiado cedo para nós nos deitarmos. Depois disso, ele dorme no nosso quarto ou então um de nós vai dormir com ele para outro quarto.

Também gosto da teoria do "estar a criar um robot". Não, querida Susana, não estou, mas toda a gente precisa de hábitos e rotinas, e os bebés não são excepção. O que é que sugere? Que ele se deite às três da manhã? Ou que passe sete horas acordado à noite, como vinha a acontecer? Isso é que é saudável para um bebé? Desde que estabelecemos a rotina banho+biberão+adormecer, sempre à mesma hora, ele tem efectivamente dormido durante a noite, acordando quase sempre às mesmas horas para comer. E se soubesse (não sei se sabe) o que é ter um bebé a berrar durante sete horas sem parar, perceberia o porquê de eu ter dito que ele até podia ficar acordado à noite, desde que em silêncio. É que, nessas alturas, nada o tranquiliza. Nem o "contacto da pele, o calor e cheiro, a mama ou o som do coração". Acha que não tentamos tudo para o acalmar? Acha que ficamos a olhar para o bebé a berrar, ou que lhe viramos costas e vamos à nossa vidinha? A Susana diz que estas são as únicas coisas que ele precisa, mas às vezes ele não precisa de nada disso. Às vezes os bebés não precisam de coisa nenhuma, só mesmo de berrar, sabe-se lá porquê. Não querem fralda, nem chucha, nem colo, nem mimo, nem nada. Só querem berrar.

Eu disponibilizo-me totalmente para o meu bebé, não se preocupe. E amor, afecto e atenção são coisas que não lhe faltam nem nunca faltarão. Apenas não me limito a relatar as maravilhas da maternidade, falo também do que é menos bom. Como passar noites em claro com um bebé a berrar (se a Susana gosta, parabéns, isso faz de si uma excelente mãe e de mim uma insensível sem coração). Não é tudo lindo e maravilhoso no mundo da maternidade. Quem disser que sim, ou mente ou é alienado.

De Juless a 08.09.2013 às 22:52

Ah Ah... estas a quebrar uma das regras da lista "nunca chamar cria" :)

De A Pipoca Mais Doce a 08.09.2013 às 22:59

Ah ah! Juless, não conta, porque estava apenas a citar a autora do outro comentário (daí o uso das aspas). =)

De Anónimo a 08.09.2013 às 22:57

Agora é a Pipoca que precisa de ouvir um "não leiam coisas que não foram escritas". A Susana falou de mais instinto e menos treino. Só e apenas.

Se o seu instinto lhe diz para fazer assim, força. Mas não o faça porque um qualquer alegado especialista lhe disse para fazer.

De A Pipoca Mais Doce a 08.09.2013 às 23:15

De que é que serve o meu instinto dizer-me para ficar sete horas com ele ao colo enquanto berra se isso não o acalma? Eu acredito muito no instinto, mas também acredito que se existem especialistas em todas as áreas, para alguma coisa será. Gosto de ouvir o que têm para dizer e depois fazer a devida triagem e pôr em prática aquilo que eu achar mais conveniente e melhor para a criança e para nós.

De Raquel a 08.09.2013 às 23:43

Pipoca também vou dar uma achega! :-)
Concordo (e muito) com o estabelecimento de rotinas! Aliás, qualquer pediatra lhe recomendaria isso e eu, como psicóloga e mãe, também! Tenho dois filhos, um com 2 anos e uma com 1 ano e nenhum me deu problemas durante as noites, regra geral! Coincidência? Genética? Acredito que não! Por acaso não tive alguém (no sentido físico da coisa) que me aconselhasse. Foi muito instinto e muita leitura e... Tcham, tcham, tcham... Rotinas! A partir dos 2 ou 3 meses, acho eu, comecei a fazer exactamente como vocês fazem... Banhinho, musiquinha de boneco de corda, lusco fusco e leitinho. Arrotava e toca a dormir... Era um mimo vê-lo a dormir tranquilo e feliz! Com a mais nova foi o mesmo!
Força e continuação do bom trabalho! Como dizia a pediatra dos meus filhos... A mãe (os pais) é que sabe o que é melhor para o seu filho, quem o conhece melhor!
Siga para bingo! :-)
Beijinhos

De Ana G. a 09.09.2013 às 00:24

Olá Pipoca!

A Constança do espaço cegonha deve ser uma excelente profissional, mas há uma enfermeira especialista em ritmos do sono do bebé que se chama Carolina Albino. Não sei se já ouviste falar. Está muito em voga agora e até é conhecida a "encantadora de bebés". Estudou muito a questão do sono e é reconhecida por várias universidades em Inglaterra. Acho que devias ir a uma consulta com ela. O método dela funciona também por estabelecer rotinas, mas há uma particularidade, ela faz intervenção em casa das pessoas se quiserem e/ou se achar necessário. São 3/4 dias. Ela vai a tua casa e faz observação do dia-a-dia do Mateus, e vai te dizendo o que estás a fazer bem ou mal e como deves fazer, mostrando-te como deve ser feito. Toda a gente diz que em 3 dias os bebés aprendem a dormir sozinhos. Ela estabelece uma rotina consoante a idade e peso do bebé, dizendo-te as horas e tudo. Tenho um bebe de 6 meses com dificuldades em adormecer e fui a semana passada a uma consulta com ela e gostei bantante. Já pus em prática a rotina que ela me recomendou e digo-te que o Salvador dorme das 20h às 8 da manhã, dorme várias cestas durante o dia e só não adormece ainda sozinho porque para isso precisava da intervenção que não posso fazer por questões financeiras. Vou tentar fazer sozinha, com as indicações dela. Se tens possibilidades financeiras, devias fazer a intervenção. Ela dá consultas na clínica da criança e do adolescente em Lisboa. Beijinhos

De Sandra a 09.09.2013 às 00:35

Há uma coisa muito importante a esclarecer: não são os únicos que ficam acordados toda a noite com um bebé. Imagine-se, há mais bebés que acordam de noite e que mesmo no colo gritam e choram. Sim, por vezes é o que os bebés fazem.
O certo é que há comportamentos que complicam as coisas, como por exemplo, deixar o bebé dormir no escuro de dia, etc.
Eu poderia até fazer uma lista de tudo o que pode estar a provocar esse comportamento mas vou evitá-la porque obviamente vai ser ignorada.
A questão é que as opções são totalmente vossas e portanto devem assumir as consequências, mesmo que sejam passar noites em claro com um bebé com cólicas.
E não, a maternidade não é um mar de rosas mas, acreditem ou não, ninguém tem bebés perfeitos e o vosso nem é mais nem menos que os outros, é apenas um bebé humano.

De A Pipoca Mais Doce a 10.09.2013 às 00:03

Sandra, sobre os outros bebés não faço ideia, só conheço o meu. Mas não me lembro de ter dito que ele era o único a ficar acordado a noite toda, a chorar ou a gritar. Falei do meu caso porque este é o meu blog e este é o meu bebé. As simple as that.

Quanto a fazer uma lista do que eu poderei estar a fazer mal, venha de lá essa lista, que não será ignorada. Tudo o que puder ajudar é bem-vindo. Mas desde já lhe digo que o Mateus não dorme no escuro durante o dia. Isso nunca aconteceu, em quase dois meses. Se tiver outras ideias, sinta-se à vontade para partilhar.

De Sandra D. a 10.09.2013 às 12:18

Não conheço pormenores da vossa vida, obviamente, e só posso falar pelo erros que eu própria cometi.
- a tv ligada ao fim do dia. Pois, os bebés não vêem tv, nem para lá olham (alguns) mas a luz emitida estimula-os (e a nós também) e deve ser evitada.
-luz de presença azulada. Pensava eu que era mais calmante... pois, só que a luz do dia é mais azulada (céu azul...) e uma luz azulada desperta-nos enquanto que a luz vermelha é o mais indicado para a noite. Por isso é que a miúda despertava tanto durante a noite...
- horários: penso que isto já foi falado, arrependi-me imenso de tentar atrasar o banho na tentativa de fazer a miúda dormir mais tempo. se fosse hoje, seria bem mais cedo.
- visitas: isto desestabilizava a miúda de uma maneira que não dá para descrever. Ela nunca foi de cólicas, felizmente tinha uma boa pega na mama e engolia muito pouco ar, mas os poucos ataques de cólicas horríveis que teve foram em dias de visitas sucessivas e chatas (tive gente a tentar acordá-la para lhe ver a cor dos olhos!!!). A solução era drástica: sair com ela de perto das pessoas, trancar a porta do quarto (sim, tinha visitas a seguirem-me até ao quarto para a verem mamar, enfim) e fechar-me com ela na penumbra a cantar até ela se acalmar.

Quanto ao resto, sabe, nem toda a gente lhe responde só para ser desagradável ou para a provocar. Há quem queira genuinamente ajudar precisamente por também ter tido filhos e saber que estes primeiros tempos são difíceis. Todas as mães se sentem perdidas nessas noites em branco e têm tendência para entender tudo o que lhes é dito como uma crítica directa. Se escreve sobre estes primeiros tempos, é natural que receba palpites de mais pessoas do que quem não tem um blog. Não me parece é que seja benéfico para si estar a chatear-se com todos os comentários. Se está segura das suas opções, ignore e pronto (que foi o que eu passei a fazer aos palpiteiros). Tem um bebé pequeno em casa que ainda por cima nasceu prematuro. Não lhe faz falta nenhuma ter os pais a irritar-se com comentários de pessoas que nunca viram na vida.

De Anónimo a 09.09.2013 às 12:56

Continuo a dizer aquilo que sempre disse aqui: as rotinas são do mais importante que há, para todos.
Mas no sono, insisto, que acho que elas devem existir desde o dia 1. Nunca tive nenhum problema com nenhum dos meus filhos, porque sou rígida nas regras. E acho, sinceramente, que com 7 semanas, já é bastante tarde e eles já sabem o que é bom... Mas isto sou eu.
Por outro lado, os miúdos percebem se os pais têm abordagens diferentes - o meu marido, por exemplo, vacila muito mais do que eu e os miúdos sempre perceberam isso. Por isso é que sempre só tratou dalguns temas, como deitá-los, quando as regras já estavam cimentadas e não quando se estavam a instituir.
Por outro lado, tenho amigos que têm sempre os mesmos problemas no sono com os filhos que têm. Como já alguém disse acima, não acho que sejam coincidências.
Relativamente ao sono, acho mesmo que os miúdos são o reflexo daquilo que os pais ensinam.

De A Pipoca Mais Doce a 10.09.2013 às 00:04

Não acho que às sete semanas já seja demasiado tarde. E convém não esquecer que o Mateus nasceu prematuro, um praticamente seis semanas antes do previsto. Se o Mateus tivesse nascido às 40 semanas teria agora uma semana e meia.

De Anónimo a 10.09.2013 às 10:41

Sim, esqueci-me de salvaguardar esse facto no meu comentário. Não sei, de facto, quais as necessidades especiais de um prematuro. A minha experiência é só com bebés de termo.
E o meu comentário não foi de todo crítico. Quando disse que para mim impor regras às 7 semanas é tarde é só porque entendo que elas devem existir desde o 1.º dia. Mas como disse, isso sou eu. Conheço tanta gente que só tenta impor regras lá para o ano ou ano e meio. Não é que seja impossível, dá é muito mais trabalho e eu confesso que para isso prefiro ter o trabalho no início.
Mas a firmeza e consistência nas regras é fundamental. E os resultados nem sempre são instantâneos, mas com o tempo, eles aparecem. O importante é não desanimar, por muito que às vezes apeteça, até porque às vezes é mais fácil - seria mais fácil enfiá-los na nossa cama para dormirmos todos um bocadinho, do que nos levantarmos de hora a hora ou de 2 em 2 horas para colocar uma chucha que cai ou qualquer coisa do género.
Que continue tudo a correr bem!

De Constança a 09.09.2013 às 15:06

Boa tarde, este tema do sono e do choro dá sempre azo a muitos comentários e muitos são os "métodos" disponíveis, livros e manuais e conselhos que são dados às mães. As técnicas que proponho às mães são sempre no sentido de manter o bebé o mais relaxado e feliz possível, tendo portanto sempre em conta a fisiologia do bebé e aquilo que ele consegue fazer em cada momento, respeitando-se as suas características únicas e o seu desenvolvimento neurofisiológico.
Posto isto, quando falamos de "rotinas" falamos de um encadeamento de acções securizantes e relaxantes para o bebé e nunca métodos que pretendem "treiná-lo" ou "vergá-lo" para que durma ou não chore. Não acredito no benefício desses métodos. Se o bebé chora com dores ou necessidade de proximidade e aconchego não há benefício nenhum em treiná-lo para que não transmita essas mesmas necessidades para que estas possam ser atendidas.
Dessa forma, o embalo, o colo, a música, o contacto pele com pele, as massagens são sempre parte integrante de um esquema que responde a essas mesmas necessidades do bebé e que vai fazer com que naturalmente durma e concilie os estímulos melhor. É essa a rotina em que acredito e que é verdadeiramente amiga dos bebés e dos pais. Não há técnicas de treino, nem de choro, seja acompanhado ou não. Pelo contrário, o que pretendemos é que o choro seja atendido e respondido sempre da forma que o bebé mais precisa.
E os resultados naturalmente que surgem pois o bebé está atendido nas suas necessidades e seguro de que, caso necessite de algo, os pais estarão disponíveis para o acompanhar.

Todas as técnicas que proponho aos pais implicam ZERO choro, já que não acredito que haja para o bebé, nenhum benefício físico ou emocional no choro não atendido. Pretendem-se noites descansadas, mas acima de tudo bebés felizes, seguros emocionalmente, e pais confiantes e tranquilos.

Se me permitem, e porque são muitos os manuais que na minha óptica têm uma abordagem pouco fisiológica e realista do que são as necessidades de um bebé tão pequeno, gostaria de sugerir às mamãs interessadas dois livros que ajudam a compreender muito bem a fisiologia do choro e o porquê do sono do bebé ser diferente do dos adultos. São eles o "Besame Mucho" de Carlos Gonzalez (ed pergaminho) e "Mãe pela Primeira vez" de Gro Nylander (ed. lua de papel).
Felicidades a todas!

De susana a 09.09.2013 às 17:14

Cara Pipoca

Já passei muitas noites em claro, sim. Mais do que sonharia, mas os meus filhos nunca foram crianças de grandes sonos. Se calhar merecia as técnicas milagrosas de que fala :). Uma noite de sete horas com algum dos meus filhos a berrar é que nunca tive o desprazer e nunca nos permiti ter, sobretudo porque para o bebé deve ser de uma violência extrema, indescritível.

Suponho que sejam pais de primeira viagem e não terão conseguido entender o pedido de socorro do Mateus. Ainda assim, jamais conseguiria sequer imaginar que numa divisão ao lado ele chorava, nem que fosse uma hora, e eu num sono tranquilo. Falou-se de instinto. É aqui que ele entra, e daí a minha analogia com o resto do mundo animal.

Obviamente que não me passaria pela cabeça acusa-la de ser má mãe. Realmente cada pai e mãe fará o melhor que sabe e consegue, ou que lhe indicam para fazer, na falta do instinto se revelar. As técnicas são excelentes se funcionarem connosco. Quando falham, há o instinto…

Rotinas e regras: não há sociedade sem elas, e sim, são muito importantes para um bebé. A hora do sono, da refeição, do banho, da historinha antes de dormir. Eles sentem-se seguros, de facto. Mas um bebé de sete semanas tem rotinas aproximadas, não fixas. Ainda está a aprender a regular o seu sono, a criar os seus próprios horários, e não os que lhe tentam impor. A aprendizagem dele ainda nem começou, como a vossa também ainda vai no início.

Não sei nem pretendo saber o que se passa dentro da vossa casa, mas do que li, não resisti a responder-lhe de que há outras abordagens para além do formato acelerado e cheio de fórmulas mágicas que a sociedade nos impõe.

Escrevi no sentido de lhe dizer que é possível ser uma mãe por afetos e instintos, e não mãe por rotinas, técnicas e regras, que apesar de importantes, colidem muitas vezes com as primeiras, que sempre foram as mais importantes.

Entrega. Tempo. Calma. Contacto. Não ter expectativas. São noções “em desuso” na sociedade moderna mas que desejo mesmo que saboreie, e que até pode aplicar com técnicas não agressivas para bebés (quantas técnicas sobre o sono já foram provadas altamente nocivas?...). Se gosta de técnicas e formação, porque não fazer um curso de massagem para bebés? Alivia as cólicas, o choro, promove contacto físico e bebés mais calmos. E se alguma vez pensou em amamentar (que seria a melhor forma de acabar com as cólicas e o melhor alimento para o sistema digestivo imaturo do bebé) saiba que sete semanas depois, e se não tiver nenhum problema de saúde incompatível, isso ainda é possível.

Por fim, se gosta de ler, experimente uma abordagem diferente: livros do pediatra Carlos Gonzalez ou da Rosa Jové e outros com filosofia idêntica. Vão abrir-lhe extraordinariamente a sua visão sobre a maternidade.

Assim termino de vez, desejando-lhe e à sua família, mais uma vez, as maiores felicidades.

De A Pipoca Mais Doce a 10.09.2013 às 00:24

A Sandra consegue sempre descortinar coisas nas minhas palavras que, sinceramente, não sei onde as vai buscar.

"Ainda assim, jamais conseguiria sequer imaginar que numa divisão ao lado ele chorava, nem que fosse uma hora, e eu num sono tranquilo." Mas onde, ONDE é que eu escrevi, que deixo o Mateus a chorar, mais ainda sozinho? E, pior, comigo a dormir! Acredite, quando ele berra a sério, ninguém dorme nesta casa. O que eu disse foi que ele teve noites em que chorou durante sete horas, sem que NADA o acalmasse. Nem colo, nem massagens, nem música, nem swaddling, nem coisa nenhuma. Não tinha cólicas, não tinha fome, não tinha a fralda molhada, não tinha nada aparentemente. Só chorava. Mas, como é óbvio, não o deixámos sozinho em momento algum (apesar da vontade que até se possa sentir, ao fim de tantas horas naquilo). Diz que nunca se permitiu ter um bebé a chorar sete horas. Uau. Que bom. É uma iluminada e nós, de facto, é que não sabemos tratar de um bebé. Mas olhe que o meu marido é pai de segunda viagem e, pelos vistos, também deve ser um incompetente, porque não conseguiu tranquilizar o Mateus nessas noites demoníacas. É precisamente por sermos pais fraquinhos que pedimos ajuda. E, olhe, aparentemente até tem ajudado.

Depois, também insiste muito na coisa das rotinas, e que é tudo muito mecânico, e que não há afecto nem instinto. Eu já disse para aí oito vezes que aquilo que chamamos de rotina é apenas ter uma hora fixa à noite para ir dormi. E fazer sempre a sequência banho + comer + adormecer. Antes o Mateus ficava connosco na sala até irmos todos para o quarto, se fosse preciso à uma ou duas da manhã, e isso reflectia-se na forma como dormia (ou não dormia) o resto da noite. Porque apesar de estar ali ao pé de nós a dormir, a Constança disse-nos que esse sono não era tão profundo, porque estava a receber vários estímulos (luzes, vozes, barulhos), e que era aconselhável ele ir para a cama dele, sossegadinho e só com uma luz de presença. Começámos a fazer isso e ele tem dormido mil vezes melhor.

Não somos pais "mecânicos" e desprovidos de afecto ou sentimento. Apenas sabemos que um bebé precisa de rotinas para se conseguir organizar. Não me parece que por ele ir para a cama sempre à mesma hora sinta que os pais não querem saber dele. Durante o dia não faltam horas e horas de colo, de mimo, de beijinhos e de tudo o que ele precisa. À noite... à noite é para dormir. Ele precisa e nós também. Mas se houver crise, se houver choro, não o ignoramos, como é óbvio. Estamos lá para o colo, para as massagens a meio da noite, para tudo e mais alguma coisa.

De Maria a 28.09.2013 às 14:21

Credo, um blog que à partida seria muito benéfico para os autores e uma espécie de serviço publico para os leitores, tem de ter comentàrios ressàbiados de mau tom?!

Menos, pessoas.

Pensem assim: "Oh! é assim que eles fazem? Engraçado, nunca tinha pensado nisso.";
assim: "Bem, é uma opinião completamente contrària à minha! Realmente nisto da maternidade não hà verdades absolutas...";
ou até assim: "Porreiro, levo daqui uma data de dicas fixe que posso experimentar! Até vou sugerir uma ou outra que funcionaram cà em casa".

E pronto, faziam disto um espaço de discussões mais proveitosas do que parvas. E cansativas. Até me cansam a mim que não sou visada.

De Carolina Pessoa a 10.09.2013 às 11:09

Susana,

há de ser uma complicação tentar que perceba uma mensagem simples. A querida adora ouvir-se, não é? Não há nada na sua mensagem que não seja totalmente ao lado do que a Ana disse.

De Sonia a 15.09.2013 às 23:14

Eu tenho dois filhos (2 anos e 6 meses). Sei que o meu conselho vai parecer descabido e li todos os comentários a ver se algum se parecesse a ele. Eu aprendi que os bébés são sensíveis aos anoiteceres. Ou seja, ficam assustados quando a noite caí. O meu truque é mesmo dar banho e deitar a criança antes que a noite caia (por volta das 19.30). Eles ficam mais sossegados (já não há aquela crise de choro inconsolável durante o serão/noite) e pode-se jantar sossegado em casal. Mesmo que acordem depois para comer, estão mais relaxados.

De Anónimo a 16.09.2013 às 15:17

Ana,

Posso recomendar-te a Sleepy Time www.facebook.com/pages/Sleepy-Time-Especialista-do-Sono/505442702824473?fref=ts .
A Filipa é um amor, sempre disponível e super competente!
Se quiseres tentar..e precisares, vale mesmo a pena!

Comentar post







Digam-nos coisas

apipocamaisdois@gmail.com

Pesquisar

Pesquisar no Blog  


Arquivos

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D