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AVENTuras da Mamã #18

por A Pipoca Mais Doce, em 21.10.13

O regresso ao exercício

 



Depois de uma gravidez é normal que se leve algum tempo a voltar à forma. Há quem não tenha tempo para voltar ao ginásio, há quem não tenha dinheiro (se bem que há cada vez mais opções económicas, como correr na rua), há quem não tenha tempo nem dinheiro e há, simplesmente, quem não queira saber. Algumas mulheres sentem-se tão preenchidas com o nascimento de um filho que descuram todos os outros aspectos da sua vida. Forma física incluída. Era deste último grupo que eu não queria fazer parte. Não sabia se iria ou não ter tempo para fazer exercício, mas à medida que a gravidez ia avançando eu sabia que, assim que pudesse, ia tentar voltar à forma. Tinha medo de me desleixar, de usar a desculpa “filho” para não tentar dar cabo dos quilos a mais e de várias outras coisas menos simpáticas que a gravidez nos deixa. Já me estava a ver daqui a uns tempos a dizer que estava mais gorda por ter tido um bebé. Há 18 anos.


Quando se gosta de exercício é mais fácil. Quando se faz por obrigação - como é o meu caso - é necessário um esforço extra. Claro que se lhe vai apanhando o gosto, sobretudo se formos vendo resultados, mas nunca é o mesmo prazer. Lembro-me que a última vez que tinha feito alguma coisa foi na Corrida de São Silvestre, em Dezembro do ano passado. Durante a gravidez não fiz nada, não mexi uma palhinha. Primeiro, porque não tinha vontade nenhuma (um disparate, eu sei, pelo menos umas caminhadas fazem sempre bem). Depois, porque para aí aos quatro ou cinco meses a médica avisou-me que tinha o colo do útero curto e não me queria nem muito tempo de pé nem muito tempo a andar. Quanto mais tempo pudesse passar deitadinha, melhor para a criança. Foi música para os meus ouvidos, a desculpa perfeita para não fazer exercício nenhum. Mesmo assim, andei sempre de um lado para o outro até ao fim da gravidez.


Depois de o Mateus nascer tive de esperar dez semanas, por ter feito uma cesariana, mas aí já tinha vontade de voltar a mexer-me. Vontade, vontade não, também não exageremos, mas sentia que estava a precisar. Não estava muito contente com os quilos a mais nem com a lei da gravidade, por isso queria voltar ao ginásio e à corrida. E assim foi. Assim que a médica me deu luz verde, voltei. Sem grandes pressas nem pressões. Estou a retomar as corridas aos poucos, tenho um plano de treinos no ginásio, e lentamente a coisa vai. Como em tudo o resto, também as corridas e as idas ao ginásio são divididas. O homem vai de manhã, eu vou ao fim da tarde. Se um corre em casa, o outro fica com o Mateus. Se um vai correr para a rua, a mesma coisa. E quando queremos ir juntos a corridas, o Mateus fica com os avós/tios um bocadinho (até agora só fomos a uma, este fim-de-semana era suposto termos ido a outra, mas o Mateus estava tão birrento que optei por ficar em casa a dar-lhe mimo). Lá está, tendo apoio é muito mais fácil, sem dúvida, mas acho que também é preciso ter alguma força de vontade para se encaixar o exercício na nossa vida. É muito mais fácil ficar em casa a um domingo  à tarde, enfiada na cama, a comer chocolates e a ver televisão. Era o que me apetecia ter feito ontem, mas obriguei-me e lá fui eu para a beira rio correr 6 quilómetros. Fui contrariada, mas voltei contente por ter cumprido o meu objectivo e por ter superado os planos iniciais de correr 5 quilómetros.

 

Sou totalmente contra a pressão que se impõe às mulheres para que voltem à forma depois de terem sido mães. Acho que cada uma tem o seu timing, cada uma tem os seus objectivos. Eu sempre soube que ia querer recuperar a forma (sobretudo se ganhasse muitos quilos com a gravidez), mas isso sou eu. Percebo perfeitamente que haja quem não esteja para aí virada. Cada mãe sabe de si. Um bebé é muito absorvente, ocupa imenso tempo e atenção, nem sempre é fácil conseguir desligar ou ter vontade para o fazer.  Pessoalmente, acho que é bom para o corpo e para a nossa sanidade mental, estar ali uma hora sem pensar em nada. Volta-se com outro ânimo, com saudades boas, com as energias e a paciência repostas. Só vantagens!


Há muita coisa que se pode fazer depois da gravidez, desde ginástica pós-parto, com exercícios específicos, a corridas, natação e várias outras modalidades. É importante que confiarmem com a vossa médica se já podem voltar ao desporto e quais as actividades mais indicadas. Acho também importante fazer um teste de condição física, porque depois de tantos meses paradas convém saber o que é que o nosso corpo aguenta e em que estado estamos.


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publicado às 18:47


8 comentários

De Anónimo a 22.10.2013 às 11:32

Fui mãe há mês e meio e, felizmente, não ganhei muito peso. Tenho, neste momento, 4 quilos a perder para voltar à minha forma física anterior à gravidez.
Como disseste Pipoca, há quem não tenha dinheiro para ir a um ginásio, a quem não tenha tempo de fazer exercício e há quem não tenha ambos.
Ir para um ginásio, para mim, é dispendioso e não tenho ninguém com quem deixar a pequena (bem, a verdade é que tenho os meus sogros, mas não confio a 100%). Se tivesse cá os meus pais ou amigos mais próximos, deixaria a miúda com eles, mas não posso.
A minha médica também me proibiu qualquer exercício mais puxado, uma vez que não tenho ninguém que me oriente e tenha medo que faça alguma asneira (até porque a placenta esteve sempre em cima do colo do útero e não pude fazer qualquer esforço sob pena de ela descolar - ou seja, fiquei parada durante uns bons 7 meses), pelo menos para já. Então optei por ir andar: pego na sapinha, enfio-a no carrinho e lá vou eu andar com ela durante 1 ou 2 horas (mas não é andar de passeio, cuidado, é andar assim para o rápido a subir ruas etc, etc). Quando a minha condição física o permitir, irei começar a correr e olha que eu detesto correr. Sempre disse que só correria se a minha vida dependesse disso. Mas pronto, preciso de voltar ao antes fisicamente, preciso de ter algo que me preencha o corpo, que mo canse, já que não vou poder ir trabalhar durante uns bons 4 meses.
Acho importante qualquer mãe preocupar-se com o corpo, preocupar-se com ela própria, distanciar-se um pouco da criança durante uns minutos, meia-hora, whatever. E não me venham com a treta do egoísmo que perco paciência.
Tenho a minha roupa toda à espera no armário, roupa linda, bonita que não me fica a 100% por causa dos 4 quilos a mais (e parece que a gravidez decidiu orientar qualquer peso a mais para o meu já imponente traseiro). Demore um mês, dois ou três ou até um pouco mais irei voltar a vesti-la e irá saber-me muito bem :)

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