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A guerra dos sexos

por A Pipoca Mais Doce, em 18.03.13

Texto escrito a 22 de Janeiro:

 

Ontem fui fazer a análise de sangue para descobrir o sexo da criança. Inspirei fundo na hora de pagar (100€), porque sei que isto não passa de um capricho. É claro que podia descobrir daqui a umas semanas (ou meses), é claro que saber agora ou mais para a frente vai dar exactamente ao mesmo. Mas sou uma pessoa que sofre dos nervos. E sou curiosa. Por isso tinha mesmo de saber. Para além disso, já ouvi tantos casos de ecografias que eram uma coisa e, passado um tempo, afinal eram outra, que prefiro não arriscar. O teste tem 99% de fiabilidade, por isso acredito que é de confiança e que o veredicto será mesmo final, sem surpresas na hora do parto ("ai, achava que era uma menina? Não, tem aqui um belo rapaz"). Agora é esperar sete dias úteis. SETE dias. Mais de uma semana. Esta coisa da indefinição mexe comigo. Uma pessoa quer comprar uma pecinha para a criança e tem de se sujeitar às corzinhas neutras. E não há assim tanta coisa quanto isso. Não! Quero uma cor específica! Quero saber se me atiro para os azuis ou para os rosa. Mas confesso que a revelação do "segredo" também me atormenta um bocadinho. Para já, isto é só um ser indefinido e minúsculo que anda para aqui, algures. A partir do momento em que tiver sexo, terá também nome (ui, nem quero pensar nisso) e estará também um passo mais perto de ter uma personalidade. É esquisito. E depois tenho medo da desilusão. Claramente, e se me dessem a escolher, diria logo que quero uma menina. São mais fofinhas, há nomes mais giros, as roupas são muito mais queridas e diversificadas, as brincadeiras têm mais graça... enfim, menina, menina, menina, sem dúvida. Até porque tenho todo um legado para deixar. E se for um rapaz? Será que vou ficar abatida e desgostosa, caída na cama com uma depressão? Toda a gente me diz que só se tem preferência até se saber o sexo. E que, ao se saber, já nem nos lembramos daquilo que queríamos inicialmente, adaptamo-nos imediatamente à realidade. Não sei se será mesmo assim. Se pegar no papel e ler que é um rapaz vou ter o meu momento de desilusão. Pode não durar muito, mas vou ter, é um direito que me assiste. Lamento, é a vida. Se tenho uma preferência porque é que não a posso expressar? Olha agora!! A verdade é que tenho quase a certezinha absoluta que será um rapaz, por isso acho que a surpresa não será assim muito grande. Se calhar é o meu subconsciente que já está a encontrar formas de me preparar para o que aí vem, mas pronto. O meu homem tem a certeza que é uma miúda, nem pestaneja. Caraças, ainda bem que só há estas duas opções.

 

Texto escrito a 31 de Janeiro:


Pronto. É menino! Gastou uma pessoa 100 euros numa análise XPTO para descobrir que... é menino! Não era nada disto que estava combinado. Eu tinha pedido MENINA. ME-NI-NA! Será que dá para enviar uma reclamação para algum sítio? Enfim. Fomos buscar a análise na terça-feira (29 de Janeiro). Eles tinham dito que só estava pronta na quarta, mas estava tão ansiosa que não me contive e liguei para lá a perguntar se, só assim por acaso, a análise não estaria já por lá. E estava!! Combinei com o homem e, à hora de almoço, lá fomos. Claro que eu cheguei primeiro, claro que ele se atrasou uma vida, por isso peguei no envelope, enfiei-o na mala e fui para o restaurante esperar. A morrer de nervosismo. Ele lá chegou, abri o envelope e estendi o resultado em cima da mesa. O homem dedicou-se a ler todas as palavrinhas, eu saltei logo para o final onde, a bold, dizia "MENINO". Aaaaaaaaaah! Menino!!!! Li mais sete vezes, podia ser que se tivessem enganado, mas não, MENINO. O cromossoma Y anda por lá, por isso é homem. Confesso que fiquei um bocadinho desmoralizada. Está certo que andei a preparar-me para o caso e a mentalizar-me que seria menino, mas lá no fundinho tinha muita esperança que fosse uma menina. Baaah! Posso dizer adeus a lacinhos e roupinhas cor-de-rosa. Acabámos de almoçar e fui a correr enfiar-me na Benetton. Depois de constatar que havia muita coisa gira em azul fiquei um bocadinho mais contente. Trouxe logo sete ou oito peças, para ver se me entusiasmava, mas passei o resto do dia com o peso da desilusão. Toda a gente diz que isso passa e, de facto, dois dias depois, já me habituei bastante mais à ideia. E já não acho que seja assim tão mau um menino em vez de uma menina. Já passei a pormenores mais interessantes, como debater o nome ou começar a pensar na decoração do quarto. No fundinho, no fundinho, quero é que nasça bem e que seja feliz. Mas, também no fundinho, fundinho, espero fazer parte daquele um por cento a quem a análise dá errado! =)

 

Texto escrito hoje, 18 de Março



De facto, é engraçado reler estes textos que escrevi há quase dois meses. Porque apesar de sempre ter dito que preferia uma menina, já estou tão envolvida na ideia de ser um rapaz que agora seria estranhíssimo se não fosse. Quando a semana passada fui a um médico a que nunca tinha ido e, durante a ecografia, ele me disse que não achava nada que fosse um menino, aquilo pareceu-me a coisa mais estranha do mundo. Tipo, "oi? O que é que está para ai a dizer??? Não diga asneiras, homem!" Para já, porque tenho a certeza que é um rapaz (acontece a análise de sangue falhar, mas é raríssimo). E depois, porque não fazia sentido nenhum se agora fosse uma miúda. Era como se fosse um novo bebé, um ser completamente desconhecido. Este já tem uma "personalidade" que nós lhe criámos, já tem nomes pensados, já tem as suas coisinhas. Na na na! Não quero! Recuso-me! Tal como me diziam, o "desgosto" por não me ter calhado uma menina durou dois dias, já nem me lembro disso. E depois de, uma vez mais, ter achado que era um poço de insensibilidade por ter um sexo preferido, falei com mais mães que me disseram ter passado pelo mesmo. Algumas até choraram de desgosto na ecografia! Ah ah, acho maravilhoso. E depois, claro, passou-lhes. É normal. Gostamos do "nosso" bebé, daquele em específico. Menino, menina, gorducho, magrito, careca, cabeludo.  É nosso, e é isso que o torna especial.

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publicado às 12:29


36 comentários

De Susana a 18.03.2013 às 15:03

Vou ser honesta: faz-me imensa confusão que as pessoas pensem e falem nos futuros filhos apenas como bebés/ crianças.

Se-lo-ão, mas por pouco tempo. O que aí vem são pessoas, futuros adultos, seres humanos. Acho imensamente redutor pensar só em bebézinhos fofos, nas roupinhas e nos lacinhos. Pensem nos princípios e nos valores que lhes pretendem transmitir, isso sim. Pensem na formação que pretendem dar àqueles que vos vão perpetuar.

Acho que desperdiçam muito do privilégio de poder contribuir e assistir à "emergência" de um ser humano ao pensarem tão pequeno, tão no imediato.

Mas isto sou eu.

De Susana a 18.03.2013 às 17:31

Ola Susana

Tambem me perguntava o mesmo, mas a resposta esta mesmo a nossa frente, e' clarissima.

A grande, grande maioria das pessoas decide ter filhos nao com o intuito de colocar uma nova pessoa no mundo, de a nutrir enquanto pessoa, de a fazer feliz, de contribuir para este mundo gerando uma pessoa interessante, honesta criativa.
A grande maioria das pessoas tem filhos para...satisfazer o desejo de ter filhos. Satisfazer o instinto de ser Mae ou Pai. Como a sociedade espera. Como sonharam desde os tempos em que brincavam com bonecas. Custe o que custar. Desejo esse muitas vezes levado ao limite da obcessao.
E nao, nao estao a pensar no bebe, na crianca ou no ser humano. Estao a pensar...neles proprios!
E nesse pack vem o prazer de comprar roupinhas (os bebes nao estao nem ai para o que vestem) de "medir pilinhas" com as outras maes, de se "validarem" enquanto homens e mulheres.

Com o tempo, em muitos casos vem tudo o resto o prazer de ver crescer um ser humano, de o educar e lhe ensinar muitas coisinhas.

Porem assim que esse ser humano cresce, comeca a dar respostas tortas, a ter vontade propria e a aproximar-se a passos largos da problematica adolescencias "perde a graca" e o interesse genuino nessa nova pessoa de repente esfuma-se... fica apenas a obrigacao de o por na linha, para que nao seja um embaraco para os pais, para que nao fique atras dos filhos das amigas.
Em momentos de desespero, ate se questiona o amor que se sente por aquela pessoa que os pais deixam de reconhecer... "a culpa de seres assim e' do teu pai" ou "es igualzinho a tua mae".

As roupinhas e os lacinhos, sao substituidos por cursos superiores (" o meu estuda medicina") e depois....vem o grande vazio!!! O vazio de quem viveu o momento, as roupinhas, as competicoes em vez de se dedica verdadeiramente a esse projecto de deixar no mundo alguem unico que fara a diferenca na vida de alguem.

Pensem nisto

P.S> Pelo que leio nas muitas entrelinhas, creio que a Pipoca nao se ficara de certeza pelas roupinhas...e que sera uma Mae muito para alem das trivialidades

De ... a 19.03.2013 às 09:46

Embora tenha sido um pouco rude, chamou os bois pelos nomes, e gostei do que li. Confesso que quando decidi ter filhos e quando ainda miuda os queria ter, não pensei como diz. Por uma infancia tão infeliz e traumatizante, escrevi no meu diário aos 11 anos que queria fazer alguém crescer e ser feliz. E foi sempre com a ideia de permitir uma vida melhor que a minha que pensei nos filhos, de fazer alguem existir, crescer. Durante a gravidez avisei todos que só queria roupa estritamente necessária, unisexo para dar para outro, e barata porque quase não dura. Só depois da minha nascer, e só depois de já ter uns 4-5 meses, é que comecei a achar piada a embeleza-la com vestidinhos e fitinhas, como uma boneca. Portanto, não deixando de ser verdade o que disse, às vezes o sentido da "estrada" que descreveu, é contrário. Mas no fim, creio que, pelo menos para as boas pessoas, o resultado final é o mesmo. Tenho dois filhos, ainda não estão tão crescidos como o seu, portanto mais não poderei opinar, pois está numa posição mais correta para o fazer do que eu. Mas gostei de o ler, sim!

De Isabel a 18.03.2013 às 15:07

Bom, eu estou neste momento de 23 semanas, também à espera de um rapaz. Já tenho uma menina, mas confesso que, se me tivessem dado a escolher, "mandava vir" outra. Sou fã daquelas famílias de imensas mulheres, todas com personalidade forte ;o).
Mas agora que já construí todo um presente (e futuro) com o meu filho, saber que afinal seria rapariga seria definitivamente muito estranho... Já é meu.
De qualquer forma, com as roupas ainda não atinei. Cada vez que vou às lojas, acabo por me perder com roupa para ela e não trago quase nada para ele... Acho tudo ou muito "homenzinho" ou muito "mariquinhas"... HELP!!
Felicidades!!

De Carla Nunes a 18.03.2013 às 15:11

Olá Pipoca! Acho que todas as mulheres e mesmo os homens, têm alguma preferência quando sabem que vão ser pais. Também eu tive quando engravidei. Queria uma menina, e tal como tu também tinha um feeling que ia ser um menino. E quando fiz uma eco aos 3 meses, lá confirmei que seria mesmo um rapaz. No fundo, bem lá no fundo, fiquei desiludida, mas isso não quer dizer que iria gostar mais do meu filho se fosse uma menina. Acho muito normal que tenhamos as nossas preferências, mas depois há sempre aquelas alminhas tristes que nos fazem sentir mal por termos tido alguma preferência. Danem-se lá essas alminhas... tristes!
Amo o meu bébé que já tem onze anos e que é o meu mais que tudo. Não sei como é com as meninas, mas com este menino sei que é muito cúmplice, muito carinhoso e que eu também sou a sua mais que tudo! E há-de ser assim contigo. Beijinhos e muitas felicidades

De Ana a 18.03.2013 às 15:12

eu para mim era mesmo igual e tive essa prova porque achava que ia ser menina. às 12 semanas a médica disse que era cedo, mas que se arriscasse diria que era menino. Já estava tão mentalizada com a menina que fiquei desiludida. Mais tarde, tive a confirmação oficial... era menina!!! Voltei a sentir-me desiludida... Pelo que estava era apagada às ideias do que achava que ia ser, para o que estava mentalizada que ia ser. E não podia ter saído filha mais linda, mais carinhosa, mais traquina (muito mais que os meus sobrinhos e um deles já é dose!!!), mais engraçada e mais sociável... E adora o pai, mas é muito mais apegada aqui à mamã!!!

De mamã do L. e G. a 18.03.2013 às 15:51

Alô...
Antes demais, muitos parabens!!! sigo os dois blogues... quer dizer, agora os três... :)
Eu já tenho dois meninos e das duas vezes desejei que fosse uma menina... e não foi!! e é tão bom assim... ser amada por estes dois homens, um menino, ainda bebé e outro bebé!!!
Sempre fui maria-rapaz, por isso acho que não podia ser outra coisa... mas nunca me imaginei a ser mamã de dois homens!!! a tomar conta de duas pilocas...
Mas amo-os tanto e ainda mais por serem homens, talvez! É como se fosse um duplo amor! e a duplicar!!!
Felicidades para ti, para o teu homem, e em especial para o bebé (homem) que tens dentro de ti :)

De Maria a 18.03.2013 às 15:59

E nome pipoca?
Que tal ser um tema para um próximo post?

De Papoila a 18.03.2013 às 16:00

Epá, esses 100€ da análise ao sangue são mesmo um capricho ao qual eu não cedi. Bem vi que na clínica da grávida onde fiz o rastreio bioquímico também faziam esse teste, mas esperei pela eco das 22 semanas para saber. Segundo o meu homem, ele é que soube fazer bem as coisas, primeiro filho tem que ser um menino e depois então vem a menina. E assim aconteceu.

De Teresa a 18.03.2013 às 16:01

Também passei pelo mesmo :)
Na minha 1ª gravidez, tanto eu como meu marido queríamos uma menina...quando na ecografia dos 5 meses o médico diz:" está a ver aqui as pernas abertas? Este não engana! Têm aqui um rapagão!" Eu sorri...olhei para o meu marido e vi a desilusão na cara dele...mas cedo passou e estamos super contentes e felizes com o nosso rapazinho que tem agora 10 anos!!! É um amor, meiguinho, muito responsável e super carinhoso para comigo :)
Atualmente estou grávida de 12 semanas (não planeada) e tenho um feelling que será menino...apesar do meu marido querer uma menina! Mas estou tão satisfeita com o meu rapazinho que se vier outro fico feliz na mesma :) e o que interessa é que seja perfeitinho e saudável!!
Muitas felicidades e que tudo corra bem :)

De ML a 18.03.2013 às 16:14

Por cá ainda nem tinha feito a primeira eco que o 6.º sentido me disse quer era gajo que aí vinha! Nem me deu hipótese de sonhar com a menina, senti logo que era rapaz, logo! Interiorizei de tal forma que era rapaz que na eco quando me disseram que era menino já nem esbocei qualquer sorriso e cara de assustada. Nada. Foi tipo: ok e novidades? Já sabia!

Acho que reagi assim para não ficar desiludida! Hoje, o rapaz tem 4 meses, um crescido portanto, e eu sou uma babada, e já só penso na primeira vez que irá ver um jogo ao Dragão!

http://mammyontheblog.blogspot.pt/

De acmsp a 18.03.2013 às 16:26

Eu tinha preferência por menina tb, mas as primeiras ecos que fiz foram um pouco atribuladas, só soube que era menino ás 20 semanas, se nas primeiras semanas só pensava em meninas, dps com medo que a amniocentese mostrasse que havia algum problema, comecei a pensar que não me importava o sexo, queria era este bebé. O médico anunciou que estava a ver 3 perninhas :), e eu só pensei, ok, é o Matias :)

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