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O outro lado da primeira noite do Mateus no quarto dele

por O Arrumadinho, em 02.01.14

Nestas coisas da educação dos filhos, o ideal é nunca haver o pai bom e o pai mau, aquele que se zanga e o que dá palmadinhas nas costas, o que o faz chorar quando o obriga a fazer qualquer coisa que ele não quer, e o que o ampara nessa situação. Isso, é o que diz a teoria. Na prática, nunca é bem assim.

 

Há anos que ouço a minha mulher dizer que eu sou o típico pai banana que deixa os filhos fazer tudo. Sempre rebati isso, e sempre lhe expliquei que a minha reacção deveria ser enquadrada com a idade da criança. De nada vale ter uma conversa séria com um miúdo de 2 anos sobre um assunto qualquer, porque o efeito prático é próximo de zero. Há, simplesmente, coisas que eles não entendem. O mesmo se passa com as chamadas "palmadas pedagógicas", que eu não defendo.

 

Acho que os pais devem sempre agir em conformidade com a gravidade das atitudes dos filhos, tendo sempre em conta a idade e maturidade deles.

O meu filho mais velho sempre foi um miúdo calmo. Nunca fez grandes birras - lembro-me de duas, em sete anos -, sempre foi ternurento e educado, por isso, nunca vi necessidade em ter uma atitude demasiado austera ou rígida para com ele. Claro que já fez disparates, como todos os putos, e asneiras graves, como afogar-me o Mac com um copo de água. Mas, mesmo quando o fez, foi um acidente, que aconteceu com ele, como podia ter acontecido comigo, que também entorno muitas vezes copos de água pela mesa de refeições. Lembro-me de quando isso aconteceu, ele percebeu imediatamente o drama - tinha quase 5 anos - e desatou a chorar, a agarrar-se a mim e a pedir desculpa. O que é que lhe ia fazer? Bater-lhe e colocá-lo de castigo? Achei que não. Vi aquilo como um acidente. Expliquei-lhe a gravidade do que havia feito, disse-lhe que teria de gastar muito dinheiro para arranjar o computador, e ele sempre a chorar. Acho que ele aprendeu a lição com aquela conversa. Bater-lhe ou castigá-lo de forma rígida seria, para mim, efeitos contrários, e deixá-lo-ia mais frustrado, triste, revoltado, e não por isso mais atento aos copos de água.

 

Quando o Mateus nasceu, combinei com a minha mulher que ele ficaria no nosso quarto até aos três meses. Quatro, na loucura. Claro que quando se começou a aproximar a data, ela tratou de arranjar desculpas e argumentos para adiar a coisa. Sempre a tentar puxar pelo meu conforto - "então agora vais ter de te levantar dez vez por noite e atravessar a casa toda para lhe ir pôr a chucha?", e coisas do género. Sempre lhe disse que não me importava, e que preferia isso, e habituá-lo já a esta nova realidade, quando ele ainda não sente a mudança. Claro que é importante os pais recuperarem o seu espaço, mas nem sequer acho isso o mais importante, o que é fundamental é que a transição do bebé para o quarto dele seja pacífica e o menos perturbadora possível para ele - e isso só é possível se ele tiver menos de oito ou nove meses. A mudança de ano - que até tinha sido sugerida pela minha mulher - pareceu-me o momento indicado.

 

Claro que isto só se deu porque eu tive de fazer o papel de mau da fita, e impor-me. Ontem, antes da mudança, já havia todo um rol de argumentos e novas datas para a passagem dele para o outro quarto, mas isto é mais ou menos como a decisão de se ter um filho - nunca há um momento certo, mas se não decidimos avançar, então, nunca nos parecerá o momento certo.

Como a minha mulher contou, o mais complicado foi adormecê-lo. Não sei se ele sentiu a mudança, ou se estava apenas numa daquelas noites em que chora porque tem sono, e quando mais sono tem mais berra. Eu acho que foi mais isso. Não o conseguimos acalmar, mas isso já aconteceu noutras noites, quando ele ainda estava no berço, por isso, acho que foi apenas coincidência.

 

A noite não foi assim tão tranquila como a minha mulher escreveu. Foi, para ela, que não esteve "de turno". Adormecer com a luz do visor acesa não foi fácil, e o som do quarto dele era activado a cada movimento mais brusco, por isso, ouvi várias vezes pequenos gemidos, a chucha a bater contra as grades, inícios de choro que depois não deram em nada, e às 4h40 tive mesmo de me levantar para ir ver se ele estava bem, porque estava a rabujar. Pus-lhe a chucha e adormeceu em três segundos (claro que a minha mulher não ouviu nada disto).

Ainda assim, estava preparado para isto, e para bem pior. É uma fase de mudança, de adaptação, um novo passo na vida do Mateus e na nossa, enquanto pais, por isso, temos de a ver assim mesmo, como algo de diferente, uma realidade que nos surge e com a qual temos de saber lidar.

 

Hoje, é ela a ficar de turno. 

Vai uma apostinha em como a noite me vai parecer maravilhosa?

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publicado às 18:40


2 comentários

De Rui Rodrigues a 02.01.2014 às 19:26

Olá. Sou pai da Maria à quase quase 4 meses. A Maria começou a dormir no quarto dela há mais ou menos 15 dias sem querer.. adormeceu para uma \"sesta\" por volta das 19h e para a irmos habituando, ficou na cama dela, só que a sesta durou até às 9 da manhã do dia seguinte. Desde essa noite dorme sempre na cama dela e tem sido tranquilo.

De ... a 03.01.2014 às 10:39

a sério que estes bebés existem?????????????????????????????? Nem a minha filha com 2 anos dorme tanto seguido nem nunca dormiu. E o mais pequeno que tem 3 meses o maximo dele na loucura foram 4 horas (melhor que a irmã que so começou a fazer 4 horas algures pelos 8 meses).

Eu sinceramente o que mais me custa nos meus filhos, e ja vao dois assim, é estarem sempre a chorar e sao as noites (odeio ser mae à noite, e mesmo assim nem fui das mais azarenta,s a primeira noite seguida das 22h às 7h da minha filha foi com 14 meses, ha quem demore ainda mais). Nao sei porque choram tanto, mas gritam no carro, gritam no ovo, nao uso carrinho para a mais velha desde que começou a caminhar pelos 11 meses porque la so grita grita; nem sei como os senhores dos carrinhos bengala fazem negocio e quando vou na rua e vejo crianças com mais de 1 ano, e algumas ate 3 anos, em carrinhos de passeio fico wtf...sei que é o normal, nao sei é porque ja vou em dois assim. Viagens de carro que parece que 95% dos bebes adoram e adormecem logo, ja vou no segundo filho que ou coincide com a hora da sesta, ou se vai acordado vai aos gritos ate ficar roxo. E noites, as deste parecem-me fantasticas a comparar com as da irma embora acorde 2 a 3 vezes entre as 23h e as 6h. Mas depois vejo estes relatos, bebes que desde os 3 meses dormem a noite toda, e dormem mais do que a minha filha de 2 anos alguma vez dormiu, nem mesmo em dias de praia até estafar; vou no centro comercial e vejo os bebes nos ovos calados a olhar para o ar (o mais novo tb so grita no ovo) e crianças de 1, 2, 3 anos nos carrinhos quietas e caladas, mas que se passa?? Será defeito do meu utero pá?? Pessoas deste país, digam-me que ha mais gente por aí que me entende lol.

Este nas primeiras tres semanas parecia um bebe mais calmo. Chegava a estar algum tempo sem chorar acordado e inclusive adormeceu uma vez deitado no berço sozinho (so uma vez, mas eu ja achei uau). E durante essas 3 semanas, mesmo sendo do pos parto, ca em casa tudo fluia feliz, nao havia discussoes, nao havia nada atrasado, davamos conta de tudo. Portanto vou continuar a defender que quem faz a experiencia é o tipo de bebé, porque la no fundo as discussoes que temos é de estarmos tao estafados de crianças gritantes e de noites do cocó, e ja experienciamos que mesmo com 2 bebes em casa (naquelas primeira stres semanas), é tudo muito facil se o bebé for facil. E se tenho inveja?? Oh se tenho..ja sei, saude primeiro e bla bla bla..mas isto estafa, nem à casa de banho consigo ir sem ter banda sonora de choro gritado, os carrinhos/ovos nao têm uso; chegar ao ponto de quando se pensa num terceiro filho nao é a crise, nao é onde fica, nao é logistica mas sim o "nao aguento mais um bebe que so chora de manha à noite, e ainda faço um hat-trick destes bebes..bah. Mas fico feliz de quem os tem faceis, eu é que tb queria, ja nem era facil, apenas um pouco menos dificil.

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